Já foi referido anteriormente as consequências da morte do infante D.Afonso, nos planos reais da sucessão ao trono.
D.João II e sua mulher D.Leonor para além dum filho morto à nascença, apenas haviam gerado o príncipe D.Afonso, não havendo portanto outro descendente, que se perfile na linha de sucessão.
O rei havia antes de casar, da sua relação com D.Ana Furtado de Mendonça, tido um filho D.Jorge de Lencastre, nascido em Abrantes em Agosto de 1481,e mais tarde em 1485, uma filha bastarda de nome Brites Anes.
Naturalmente que o rei pretendeu desde logo "promover" D.Jorge à condição de herdeiro, até porque D.Jorge já residia junto da corte, onde, como diziam os cronistas “Foi tão bem aceite de todos, que até a Rainha D. Leonor, esquecidas antigas afrontas, não só recebeu afectuosamente o bastardo do marido, como quis agasalha-lo em sua casa para acabar de o criar.”
A morte do príncipe D. Afonso, veio alterar porém esta situação, tendo D. Jorge saído da Corte, até 12 de Abril de 1492 quando foi nomeado “governador e perpétuo administrador” das Ordens de Santiago e Avis, pois D. João II mandou retirar o filho da corte para não fazer sofrer a rainha, disse, justificando-se.
A verdadeira justificação desta aparente mudança de atitude, deveu-se ao feitio desconfiado, mas também cauteloso de D.João II, temendo que algo pudesse acontecer a ambos, resolveu afasta-lo da corte confiando-o à guarda do conde de Abrantes.
Decisão precipitada por certo, pois D.Leonor ter-se-á sentido ofendida com a mudança, passando a antagonizar as tentativas que D.João fez para legalizar esse seu filho, junto da Santa Sé.
O certo é que nunca o conseguiu ao mesmo tempo que se consolidava a candidatura à sucessão no trono, do irmão da Rainha o Duque de Beja, D.Manuel, que passou a contar com o apoio incondicional da sua irmã.
As entradas neste blog, são pequenos apontamentos de estudo de factos acontecidos no País neste reinado(1481 a 1495)
domingo, 27 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
Início da construção do Hospital de Todos os Santos(1492)
Na manhã do dia 15 de Maio de 1492 foi lançada a primeira pedra da construção do Hospital Real de Todos os Santo, com a presença do rei D. João II
A direcção da obra, ficou a cargo do mestre arquitecto Diogo Boitaca, embora o projectista tenha sido o seu sogro Mateus Fernandes, principal responsável pela construção do mosteiro da Batalha.
A criação deste hospital foi o resultado da concentração de vários hospitais pequenos, que por terem também nomes de santos acabou este por ser denominado de Todos os Santos, mas como també foi construído com o apoio do Rei D. João II era também denominado de Hospital Real, mas ficou realmente conhecido na altura por Hospital dos Pobres, numa cidade de Lisboa que tinha nessa altura cerca de 60 mil habitantes.
O novo hospital, iria ser um Hospital do Renascimento semelhante a outros que estavam a surgirna Europa. Embora a importância do componente religioso continuasse presente – o altar da igreja estava situado no cruzeiro das três principais enfermarias para que os doentes acamados pudessem assistir aos ofícios
O Hospital de Todos os Santos, praticamente destruído, embora não totalmente quando do terramoto de 1755.
Ocupava toda a actual área da praça D. João I (Praça da Figueira), tendo por limites o Convento de S. Domingos a norte, a rua da Betesga a sul, rua do Borratém a nascente e a praça do Rossio a poente. Possivelmente no dia 1 de Novembro de 1755 o Hospital de Todos os Santos não estaria a funcionar em pleno, em virtude de um outro grande incêndio ocorrido em Agosto de 1750, que lhe destruiu 11 enfermarias e quase todas as áreas adjacentes.
O novo Hospital de Todos-os-Santos, que ficará no parque da Bela Vista e substituirá os hospitais S. José, Santa Marta, Capuchos, Desterro e Estefânia, em Lisboa, terá 789 camas, todas em quartos individuais. O concurso será lançado no início de 2008
Créditos: Heródoto
A direcção da obra, ficou a cargo do mestre arquitecto Diogo Boitaca, embora o projectista tenha sido o seu sogro Mateus Fernandes, principal responsável pela construção do mosteiro da Batalha.
A criação deste hospital foi o resultado da concentração de vários hospitais pequenos, que por terem também nomes de santos acabou este por ser denominado de Todos os Santos, mas como també foi construído com o apoio do Rei D. João II era também denominado de Hospital Real, mas ficou realmente conhecido na altura por Hospital dos Pobres, numa cidade de Lisboa que tinha nessa altura cerca de 60 mil habitantes.
O novo hospital, iria ser um Hospital do Renascimento semelhante a outros que estavam a surgirna Europa. Embora a importância do componente religioso continuasse presente – o altar da igreja estava situado no cruzeiro das três principais enfermarias para que os doentes acamados pudessem assistir aos ofícios
O Hospital de Todos os Santos, praticamente destruído, embora não totalmente quando do terramoto de 1755.
Ocupava toda a actual área da praça D. João I (Praça da Figueira), tendo por limites o Convento de S. Domingos a norte, a rua da Betesga a sul, rua do Borratém a nascente e a praça do Rossio a poente. Possivelmente no dia 1 de Novembro de 1755 o Hospital de Todos os Santos não estaria a funcionar em pleno, em virtude de um outro grande incêndio ocorrido em Agosto de 1750, que lhe destruiu 11 enfermarias e quase todas as áreas adjacentes.
O novo Hospital de Todos-os-Santos, que ficará no parque da Bela Vista e substituirá os hospitais S. José, Santa Marta, Capuchos, Desterro e Estefânia, em Lisboa, terá 789 camas, todas em quartos individuais. O concurso será lançado no início de 2008
Créditos: Heródoto
sexta-feira, 4 de abril de 2008
A morte do príncipe D.Afonso(1491)
Os festejos do casamento do príncipe herdeiro D.Afonso, como já disse foram muito prolongados. A viagem da família real de Évora para Santarém, foi muito divertida, em pequenas jornadas, com demoras aqui e além, instalando-se em pleno campo em tendas simples, para caçarem e apreciarem a vida campestre.
Chegados a Samtarém, os festejos duraram 27 dias, com animados serões e touradas.
O futuro era risonho, antevendo o desenho dos projecto de chegada à Índia, ou a os projectos para que seu filho num futuro próximo, viesse a ocupar os tronos de Castelo e Portugal, concretizando a desejada União ibérica sob a hegemonia portuguesa.
Akgo de funesto aconteceu porém no dia 11 de Julho de 1492. Cavalgando junto dum moço fidalgo seu amigo, D.João de Meneses já ao anoitecer, o cavalo tropeçou num buraco arrastando na queda o jovem infante.
As preces que D.João II mandou rezar por todo o Reino e os esforços dos físicos, não conseguiram as melhoras de D.Afonso, que viria a falecer no dia 12 de Julho de 1491.
Grande consternação foi enorme por todo o reino, maior ainda pelo contraste dos meses de felicidade trazidos pelos festejo do casamento realizado há menos de 2 anos de tal modo que nem a duquesa de Bragança, viúva do degolado duque D.Fernando, apareceu pela primeira vez no paço, após a morte do marido, pondo de parte todos os ressentimentos.
As exéquias decorreram no mosteiro da Batalha, com o espectáculo de dor habitual nas épocas medievais, homens que arrancavam as barbas até ficarem com o rosto em sangue, cabeças que batiam contra o cadafalso ou mulheres arranhando desesperadamente a face.
Os Reis católicos, pais da jovem viúva Isabel lhe perguntaram se queria regressara a Castela, foi grande o alívio da família real portuguesa, o assentimento da jovem viúva, pela recordação que a sua presença lhe fazia sentir, as saudades do seu filho.
D.João II acompanhou a viuvinha até à fronteira, separando-se com muitas lágrimas e poucas palavras. Pensando toda a gente que D.Isabel não voltaria mais a este reino, mas as voltas do destino farão que regresse um dia mais tarde não como princesa mas já como Rainha de Portugal.
Os sucessores que restavam eram D.Jorge filho bastardo de D.João II duma sua ligação com D. Ana de Mendonça, filha de D. Nuno de Mendonça, aposentador‑mor de D. Afonso V, e que foi dama da princesa D. Joana, a Beltraneja.
O outro era D.Manuel duque de Beja e irmão da Rainha neto de D.Duarte e filho do infante D. Fernando.
D.João II passou a inclinar-se para a hipótese do seu filho bastardo, que desagradava frontalmente a D.Leonor, mas que não impediu que o Rei tenha concedido a D.Jorge os mestrados de Santiago e de Avis e dando-lhe o ducado de Coimbra e o senhorio de Montemor-o-Velho
Chegados a Samtarém, os festejos duraram 27 dias, com animados serões e touradas.
O futuro era risonho, antevendo o desenho dos projecto de chegada à Índia, ou a os projectos para que seu filho num futuro próximo, viesse a ocupar os tronos de Castelo e Portugal, concretizando a desejada União ibérica sob a hegemonia portuguesa.
Akgo de funesto aconteceu porém no dia 11 de Julho de 1492. Cavalgando junto dum moço fidalgo seu amigo, D.João de Meneses já ao anoitecer, o cavalo tropeçou num buraco arrastando na queda o jovem infante.
As preces que D.João II mandou rezar por todo o Reino e os esforços dos físicos, não conseguiram as melhoras de D.Afonso, que viria a falecer no dia 12 de Julho de 1491.
Grande consternação foi enorme por todo o reino, maior ainda pelo contraste dos meses de felicidade trazidos pelos festejo do casamento realizado há menos de 2 anos de tal modo que nem a duquesa de Bragança, viúva do degolado duque D.Fernando, apareceu pela primeira vez no paço, após a morte do marido, pondo de parte todos os ressentimentos.
As exéquias decorreram no mosteiro da Batalha, com o espectáculo de dor habitual nas épocas medievais, homens que arrancavam as barbas até ficarem com o rosto em sangue, cabeças que batiam contra o cadafalso ou mulheres arranhando desesperadamente a face.
Os Reis católicos, pais da jovem viúva Isabel lhe perguntaram se queria regressara a Castela, foi grande o alívio da família real portuguesa, o assentimento da jovem viúva, pela recordação que a sua presença lhe fazia sentir, as saudades do seu filho.
D.João II acompanhou a viuvinha até à fronteira, separando-se com muitas lágrimas e poucas palavras. Pensando toda a gente que D.Isabel não voltaria mais a este reino, mas as voltas do destino farão que regresse um dia mais tarde não como princesa mas já como Rainha de Portugal.
- Os novos pretendentes ao Trono
Os sucessores que restavam eram D.Jorge filho bastardo de D.João II duma sua ligação com D. Ana de Mendonça, filha de D. Nuno de Mendonça, aposentador‑mor de D. Afonso V, e que foi dama da princesa D. Joana, a Beltraneja.
O outro era D.Manuel duque de Beja e irmão da Rainha neto de D.Duarte e filho do infante D. Fernando.
D.João II passou a inclinar-se para a hipótese do seu filho bastardo, que desagradava frontalmente a D.Leonor, mas que não impediu que o Rei tenha concedido a D.Jorge os mestrados de Santiago e de Avis e dando-lhe o ducado de Coimbra e o senhorio de Montemor-o-Velho
quinta-feira, 27 de março de 2008
Acontecimentos no ano 1490
- O casamento do príncipe herdeiro
Estava implícito neste acordo o plano da união ibérica, pelo que alguns boatos sobre a possível aproximação, para efeitos de casamento com a infanta Isabel a mais velha e herdeira, com as casas de França e de Nápoles, não passavam disso mesmo, pois nada mais poderia agradar à coroa de Castela que o casamento da sua herdeira com o infante de Portugal.
Em Janeiro de 1490, foram convocadas cortes, reunindo-se em Évora no mês de Março, que aprovaram o enlace e estabeleceram uma contribuição de 100.000 cruzados, para cobrir as despesas com as solenidades.
Os esponsais celebraram-se em Sevilha, num domingo depois da Páscoa, debaixo de grandes festejos. Desde essa data o príncipe Afonso e a infanta Isabel estavam casados por procuração.
A reunião dos noivos, viria a realizar-se já perto do fim desse ano, depois de grandes preparativos, minuciosamente dirigidos pelo próprio Rei. Tudo preparado com grande fausto, conforme descrito por Garcia de Resende.
A princesa Isabel chegou a Elvas no dia 19 de Novembro, onde já se encontrava D.Manuel, duque de Beja, (longe estavam todos de saber as voltas do destino), para a receber junto à fronteira e conduzi-la a Évora onde o casamento se iria realizar, cujos festejos duraram vários dias.
Os estrangeiros presentes, que confessaram nunca ter visto melhor e as pessoas que assistiram aos eventos, foram unânimes em considerar este casamento como a coisa mais bela que alguma vez se realizou em Portugal.
- Maio,12-Morte da infanta Joana, filha de D.Afonso VI e irmã de D.João II
Nasceu em Lisboa em Fevereiro de 1452. Foi a primeira princesa de Portugal a receber o título de princesa herdeira do reino, por ter sido filha primogénita, antes do nascimento de D.João.
Joana foi regente do reino em 1471, por altura da expedição de D. Afonso V a Tânger.
Joana foi regente do reino em 1471, por altura da expedição de D. Afonso V a Tânger.
Dotada de grande beleza foi pretendida por vários príncipes europeus. Revelou desde muito tenra idade uma grande vocação religiosa preferindo ser freira, primeiro recolheu-se no mosteiro de Odivelas e mais tarde no Convento de Jesus de Aveiro. Esta última decisão foi contestada tanto pelo rei como pelo povo, dado que o Convento de Jesus era muito pobre e, na opinião geral, indigno de uma princesa
Por imposição do rei e dos teólogos da corte, nunca lhe foi permitido professar, mas mesmo assim não abandonou o mosteiro, ficando a usar o véu de noviça. Viveu na humildade e na pobreza aplicando as suas rendas no socorro dos pobres.
A sua caridade era tão grande que foi apelidada como santa. Santa Joana Princesa como ficou conhecida
Mas a bela princesa adoeceu de peste e morreu em grande sofrimento. Quando o seu enterro passou pelos jardins do convento deu-se um facto insólito: as flores que ela havia tratado em vida caiam sobre o seu caixão prestando-lhe uma última homenagem.
Após este primeiro milagre, muitos outros foram atribuídos a Santa Joana Princesa, levando a que, duzentos anos depois, o Papa Inocêncio XII concedesse a beatificação a esta infanta de Portugal.
.
Por imposição do rei e dos teólogos da corte, nunca lhe foi permitido professar, mas mesmo assim não abandonou o mosteiro, ficando a usar o véu de noviça. Viveu na humildade e na pobreza aplicando as suas rendas no socorro dos pobres.
A sua caridade era tão grande que foi apelidada como santa. Santa Joana Princesa como ficou conhecida
Mas a bela princesa adoeceu de peste e morreu em grande sofrimento. Quando o seu enterro passou pelos jardins do convento deu-se um facto insólito: as flores que ela havia tratado em vida caiam sobre o seu caixão prestando-lhe uma última homenagem.
Após este primeiro milagre, muitos outros foram atribuídos a Santa Joana Princesa, levando a que, duzentos anos depois, o Papa Inocêncio XII concedesse a beatificação a esta infanta de Portugal.
.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Acontecimentos no ano de 1489
- O malogro da Graciosa em Marrocos
Desde o tempo de seu pai, que as 4 praças em Marrocos, estavam reconhecidas desde 1471 por Mulei Xeque, senhor de Arzila, quando assentou pazes com D.Afonso V reconhecendo a posse das quatro praças do norte de Marrocos e seus termos. D. Afonso V acrescentou ao seu título o de "rei do Algarve dalém mar em África".
Desde a conquista de Ceuta em 1415 que África era um campo de exercício militar, local para onde se mandavam os criminosos em vez de esticarem na forca, mas também os filhos segundos das casas nobres do Reino.
Também convinha a D.João II achar-se na posse dos principais pontos estratégico de modo a impedir pirataria na costa marroquina que assaltavam a nossa navegação vinda da Guiné e até forçando ataques às populações no litoral do Algarve .
A decisão à muito estava planeada, até a respectiva bula papal desde 1486 porém só em 1489, concretamente em Fevereiro que parte uma armada capitaneada por Gaspar Jusarte, para construir uma fortaleza, previamente baptizada de Graciosa, na foz do rio Lucos que banha Larache.
Situada a norte de Arzila era claramente uma ameaça a Alcácer Quibir e a Fez.
Já por si esta iniciativa, era uma clara confrontação com as tréguas acima referidas assinadas em 1471 e que previam a paz pelo menos um prazo de 20 anos, mas não era um caso isolado já que inúmeras refregas tinham acontecido nos anos de anteriores.
Não era portanto a melhor ocasião para o estabelecimento dessa fortaleza e esse também foi o entendimento dos marroquinos que entraram em confronto com as tropas portuguesas que intentavam construir a dita fortaleza.
Chegaram a partir do Algarve reforços em cerca de 20 unidades entre caravelas e outros navios, não chegando contudo a contenda a definir-se para nenhum dos lados, muito embora as baixas fossem bem pesadas, porque o clima local era verdadeiramente doentio.
Mulei Xeque tomou a iniciativa de propor uma paz aos portugueses, que foram posteriormente aceites por D.João II em 27 de Agosto desse mesmo ano
De novo as aventuras de conquista em África, não foram bem sucedidas.
- O Tratado de Confissom é editado em Chaves e considera-se o mais antigo livro cristão publicado em Portugal
Realmente já 2 anos antes e 30 após o invento de Gutenberg, um judeu de Faro de nome D.Samuel Porteiro, publicara uma edição das escrituras sagradas mas em hebraico o Pentateuco, os 5 livros livros que constituem a Torá.
- O arquipélago de Cabo Verde é doado por D.João II ao infante D.Manuel, duque de Beja e futuro D.Manuel I.
segunda-feira, 10 de março de 2008
Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã em demanda de Preste João
Nem só a viagem marítima da descoberta, era o objectivo nacional. As viagens e a aventura era o meio para atingir outros fins uma deles a Índia, outro a exploração dessas novas terras de gente negra chamada África.
Nessa África enorme, havia o aliciante de descobrir o Reino do Preste João, cujas primeiras notícias chegaram à Europa em 1145, quando Hugo de Gebel, Bispo de uma colónia cristã no Líbano, informou o Papa da existência de um reino cristão situado "para lá da Pérsia e da Arménia", governado por um rei-sacerdote, que seria descendente de um dos Reis Magos.
Foi esse desafio que D.João II iniciou, quando convocou Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva,para encontrar esse Reino africano cristão.
Munidos das melhores cartas Mapa Mundi, que na época se podiam desenhar servindo-lhes de guia, cartas e crédito e várias oferendas, se fizerem à vida, no que seriam fundamentalmente um trabalho de exploração e de cautelosa espionagem, pelo que partiram discretamente de Santarém a 8 de Maio de 1487.
Entraram em África por Alexandria já disfarçados de mercadores, numa aventura também perigosa mas que no imediato e durante muitos anos não se soube nada desses dois espiões, em Portugal.
Nessa África enorme, havia o aliciante de descobrir o Reino do Preste João, cujas primeiras notícias chegaram à Europa em 1145, quando Hugo de Gebel, Bispo de uma colónia cristã no Líbano, informou o Papa da existência de um reino cristão situado "para lá da Pérsia e da Arménia", governado por um rei-sacerdote, que seria descendente de um dos Reis Magos.
Foi esse desafio que D.João II iniciou, quando convocou Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva,para encontrar esse Reino africano cristão.
Munidos das melhores cartas Mapa Mundi, que na época se podiam desenhar servindo-lhes de guia, cartas e crédito e várias oferendas, se fizerem à vida, no que seriam fundamentalmente um trabalho de exploração e de cautelosa espionagem, pelo que partiram discretamente de Santarém a 8 de Maio de 1487.
Entraram em África por Alexandria já disfarçados de mercadores, numa aventura também perigosa mas que no imediato e durante muitos anos não se soube nada desses dois espiões, em Portugal.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Bartolomeu Dias dobra o cabo das Tormentas

Em Agosto de 1487 a coroa portuguesa retoma o curso do seu "investimento " pelo seguro, continuando a dar passos do tamanho da perna, não embarcando na aventura de Colombo, baseada também nos conhecimentos científicos adquiridos, nem em qualquer outra aventura menos seguro, como a que Fernando de Ulmo um colono flamengo dos Açores propusera a D.João II, descobrir terras para Ocidente, que o rei autorizou, mas sem dispêndio para a coroa, a expensas do próprio, razão porque não chegou a efectuar-se por falta de fundos.
Como disse em Agosto partiu então uma pequena frota comandada por Bartolomeu Dias, não para hipotéticas terras para Oeste, mas para grandes certezas a Oriente, com o objectivo bem definido de atingir a Índia.
Duas caravelas e um navio de abastecimentos, com Pêro de Alenquer como piloto, Diogo Dias irmão de Bartolomeu ao comando da naveta de abastecimentos e João Infante a comandar a segunda caravela.
A rota começou naturalmente por tocar nos pontos já conhecidos quer os referidos nas experiências de Diogo Cão e na ilha de São Tomé já anteriormente descoberta.
A viagem continuou para Sul, mas ventos fortes obrigam-nos a abandonar a rota costeira e a navegar de largo, terão navegado cerca de 300 léguas, com temporal até que voltaram a fundear numa enseada, onde voltaram a ver negros de cor parda e minguada estatura que pastoreavam rebanhos. (o rigor das anotações de Bartolomeu Dias permitiram um descrição perfeita dos acontecimentos).
Navegaram mais uns dias mas a costa que tinham como referência mudara de orientação, acompanhando a sua navegação para Nordeste.
Pressionado pela tripulação e pelo conselho de oficiais, foi contudo Bartolomeu Dias forçado a voltar para trás e só então visionaram o promontório de aspecto medonho, onde termina a África e que já haviam dobrado na primeira passagem, sem disso terem dado conta.
Cabo das Tormentas chamou-lhe Bartolomeu Dias e da Boa Esperança chamou-lhe o Rei, com a certeza que não haviam chegado à Índia, mas estavam no caminho dela.
Bartolomeu Dias regressou então a Portugal,em Dezembro de 1488,(a viagem havia durado 16 meses e meio) com a maior descrição. D.João II não o galardoou, nem houve na corte qualquer manifestação de regozijo que se reflectisse nas crónicas da época.
Ficou por esclarecer a impassibilidade de D.João II, perante a maior proeza náutica daqueles tempos, que abria o caminho da Índia
Também gostei deste post publicado no Funes
Como disse em Agosto partiu então uma pequena frota comandada por Bartolomeu Dias, não para hipotéticas terras para Oeste, mas para grandes certezas a Oriente, com o objectivo bem definido de atingir a Índia.
Duas caravelas e um navio de abastecimentos, com Pêro de Alenquer como piloto, Diogo Dias irmão de Bartolomeu ao comando da naveta de abastecimentos e João Infante a comandar a segunda caravela.
A rota começou naturalmente por tocar nos pontos já conhecidos quer os referidos nas experiências de Diogo Cão e na ilha de São Tomé já anteriormente descoberta.
A viagem continuou para Sul, mas ventos fortes obrigam-nos a abandonar a rota costeira e a navegar de largo, terão navegado cerca de 300 léguas, com temporal até que voltaram a fundear numa enseada, onde voltaram a ver negros de cor parda e minguada estatura que pastoreavam rebanhos. (o rigor das anotações de Bartolomeu Dias permitiram um descrição perfeita dos acontecimentos).
Navegaram mais uns dias mas a costa que tinham como referência mudara de orientação, acompanhando a sua navegação para Nordeste.
Pressionado pela tripulação e pelo conselho de oficiais, foi contudo Bartolomeu Dias forçado a voltar para trás e só então visionaram o promontório de aspecto medonho, onde termina a África e que já haviam dobrado na primeira passagem, sem disso terem dado conta.
Cabo das Tormentas chamou-lhe Bartolomeu Dias e da Boa Esperança chamou-lhe o Rei, com a certeza que não haviam chegado à Índia, mas estavam no caminho dela.
Bartolomeu Dias regressou então a Portugal,em Dezembro de 1488,(a viagem havia durado 16 meses e meio) com a maior descrição. D.João II não o galardoou, nem houve na corte qualquer manifestação de regozijo que se reflectisse nas crónicas da época.
Ficou por esclarecer a impassibilidade de D.João II, perante a maior proeza náutica daqueles tempos, que abria o caminho da Índia
Também gostei deste post publicado no Funes
Etiquetas:
09-Ano de 1487,
09.01-Bartolomeu Dias dobra o cabo das Tormentas,
w-Bartolomeu Dias,
w-Diogo Dias,
W-João Infante,
w-Pero de Alenquer,
z1487
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Colombo procura apoio na corte portuguesa

Cristóvão Colombo "ao que parece" genovês de origem, apresentou-se a D.João II com uma proposta tentadora, pedindo-lhe que o financiasse com 3 caravelas abastecidas para um ano de viagem, num empreendimento que, navegando para Ocidente encontraria terras da Índia.
Esse projecto que Colombo tinha como inovador, já não era novo na corte portuguesa.
Pelo menos desde o tempo em vida do avô de D.João II, D.Pedro numa longa viajem pela Europa , havia tomado conhecimento com as teorias de Pozzo Toscanelli, grande cosmógrafo da Universidade de Pádua que já defendia a teoria da esfericidade da Terra, com
Esse projecto que Colombo tinha como inovador, já não era novo na corte portuguesa.
Pelo menos desde o tempo em vida do avô de D.João II, D.Pedro numa longa viajem pela Europa , havia tomado conhecimento com as teorias de Pozzo Toscanelli, grande cosmógrafo da Universidade de Pádua que já defendia a teoria da esfericidade da Terra, com
a mesma conclusão que Colombo agora apresentava.
Colombo pretendia que uma vez alcançado o seu objectivo, o rei lhe concedesse o governo de todas as terras conquistadas e o recebimento da respectiva dízima, além da sua elevação à nobreza e o título hereditário de Almirante do Mar Oceano.
Além das exigências referidas, bem ambiciosas e desmesuradas, também segundo alguns autores, o feitio aventureiro de Colombo expresso em vários incidentes que precediam a sua fama, justificaram a não aceitação da sua candidatura .
Contudo D.João não o despediu de imediato, remeteu-o para os cientistas do Reino, muito mais conhecedores das teorias de Toscanelli e de outros grandes cosmógrafos, que o próprio Colombo, que também em definitivo recusaram a sua proposta.
Tanto que, para Portugal a aproximação a terras da Índia, seria muito mais lógico e certo, fazê-lo contornando a África, como viria a acontecer mais tarde.
Na realidade o que ninguém sabia nem Colombo nem a ciência portuguesa é que navegando para Oeste entre Portugal e a Índia, existia um outro continente, a futura América.
A recusa da coroa portuguesa em apoiar as pretensões de Colombo, levou-o a procurar Castela, onde Isabel a Rainha se convenceu, como se verá a apoiar essa iniciativa como se verá.
Nota: A frase "ao que parece",entre aspas, que coloquei no início desta entrada, prende-se com o facto da nacionalidade e a naturalidade de Colombo ser polémica. Para alguns seria português, natural de Cuba, no Alentejo ou na ilha da Madeira, estando por provar todas elas.
Colombo pretendia que uma vez alcançado o seu objectivo, o rei lhe concedesse o governo de todas as terras conquistadas e o recebimento da respectiva dízima, além da sua elevação à nobreza e o título hereditário de Almirante do Mar Oceano.
Além das exigências referidas, bem ambiciosas e desmesuradas, também segundo alguns autores, o feitio aventureiro de Colombo expresso em vários incidentes que precediam a sua fama, justificaram a não aceitação da sua candidatura .
Contudo D.João não o despediu de imediato, remeteu-o para os cientistas do Reino, muito mais conhecedores das teorias de Toscanelli e de outros grandes cosmógrafos, que o próprio Colombo, que também em definitivo recusaram a sua proposta.
Tanto que, para Portugal a aproximação a terras da Índia, seria muito mais lógico e certo, fazê-lo contornando a África, como viria a acontecer mais tarde.
Na realidade o que ninguém sabia nem Colombo nem a ciência portuguesa é que navegando para Oeste entre Portugal e a Índia, existia um outro continente, a futura América.
A recusa da coroa portuguesa em apoiar as pretensões de Colombo, levou-o a procurar Castela, onde Isabel a Rainha se convenceu, como se verá a apoiar essa iniciativa como se verá.
Nota: A frase "ao que parece",entre aspas, que coloquei no início desta entrada, prende-se com o facto da nacionalidade e a naturalidade de Colombo ser polémica. Para alguns seria português, natural de Cuba, no Alentejo ou na ilha da Madeira, estando por provar todas elas.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
A 2ª viagem de Diogo Cão(1485)
Diogo Cão voltou a partir no início de 1485, com o plano de eventualmente ir até ao Índico, recolhendo de caminho os portugueses que havia deixado no Zaire (ver relato da 1ª viagem) e repatriaria os quatros pretos que havia trazido, com todas as honras e luxos, prometendo voltar no regresso.
Prosseguiu ao longo da costa de África para Sul, até ao Cabo da Cruz na que é hoje a Namíbia e onde Diogo Cão plantou o segundo e último dos padrões que havia levado de Lisboa. Padrão esse descoberto 400 anos depois quase intacto, com a seguinte inscrição "Cabo da Cruz. Na era da criação do mundo de 6685 e de Cristo de 1485 o excelente e esclarecido Rei Dom João II de Portugal mandou descobrir esta terra e colocar este padrão por Diogo Cão, cavaleiro de sua casa".
No regresso como prometido Diogo Cão volta a parar no Congo, navegam no rio Zaire, subindo o curso do rio até as cataratas do Yelala, atingindo o extremo navegável do rio. Por outro, a penetração terrestre em direcção a Mbanza Kongo, que mais tarde seria rebaptizada de São Salvador.
Voltando a descer o rio, visita o Rei do Congo, que foi um êxito enorme, pela forma como tinham sido tratados os negros que tinham estado em Portugal e a descrição que fizeram do reino de Portugal.
Na volta a Portugal, foi a vez do Mani Congo mandar sua embaixada a D. João II. Junto dos presentes, pedia "que lhe mandassem logo frades e clérigos e todas as coisas necessárias para ele e os de seus reinos recebessem a água do baptismo", solicitando igualmente o envio de pedreiros, carpinteiros e lavradores que ensinassem em seus reinos a tratar da terra, mulheres para ensinarem a amassar pão, "porque levaria muito contentamento por amor dele que as coisas do seu reino se parecessem com Portugal".
Com Diogo Cão de regresso a Portugal o Mani Congo, regressou Caçuta, um dos pretos que originariamente visitaram Portugal e que foi por certo o primeiro embaixador do Congo em Portugal. Trazia a indicação de que se deveria baptizar, o que aconteceu recebendo o nome cristão de João Silva.
Caçuta foi recebido com todas as honras, mas de Diogo Cão nunca mais se ouviu falar, os cronistas fazem dele um silêncio sepulcral. Terá caído em desgraça junto de D.João II ? Terá morrido na viagem de regresso ? Nunca se soube ao certo o que teria acontecido
Prosseguiu ao longo da costa de África para Sul, até ao Cabo da Cruz na que é hoje a Namíbia e onde Diogo Cão plantou o segundo e último dos padrões que havia levado de Lisboa. Padrão esse descoberto 400 anos depois quase intacto, com a seguinte inscrição "Cabo da Cruz. Na era da criação do mundo de 6685 e de Cristo de 1485 o excelente e esclarecido Rei Dom João II de Portugal mandou descobrir esta terra e colocar este padrão por Diogo Cão, cavaleiro de sua casa".
No regresso como prometido Diogo Cão volta a parar no Congo, navegam no rio Zaire, subindo o curso do rio até as cataratas do Yelala, atingindo o extremo navegável do rio. Por outro, a penetração terrestre em direcção a Mbanza Kongo, que mais tarde seria rebaptizada de São Salvador.
Voltando a descer o rio, visita o Rei do Congo, que foi um êxito enorme, pela forma como tinham sido tratados os negros que tinham estado em Portugal e a descrição que fizeram do reino de Portugal.
Na volta a Portugal, foi a vez do Mani Congo mandar sua embaixada a D. João II. Junto dos presentes, pedia "que lhe mandassem logo frades e clérigos e todas as coisas necessárias para ele e os de seus reinos recebessem a água do baptismo", solicitando igualmente o envio de pedreiros, carpinteiros e lavradores que ensinassem em seus reinos a tratar da terra, mulheres para ensinarem a amassar pão, "porque levaria muito contentamento por amor dele que as coisas do seu reino se parecessem com Portugal".
Com Diogo Cão de regresso a Portugal o Mani Congo, regressou Caçuta, um dos pretos que originariamente visitaram Portugal e que foi por certo o primeiro embaixador do Congo em Portugal. Trazia a indicação de que se deveria baptizar, o que aconteceu recebendo o nome cristão de João Silva.
Caçuta foi recebido com todas as honras, mas de Diogo Cão nunca mais se ouviu falar, os cronistas fazem dele um silêncio sepulcral. Terá caído em desgraça junto de D.João II ? Terá morrido na viagem de regresso ? Nunca se soube ao certo o que teria acontecido
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Embaixada ao Papa(1485)
D.João II enviou a Roma uma importante embaixada, com a missão de assegurar ao novo papa Inocêncio VIII, a obediência do reino, tendo como embaixadores o mordomo-mor D.Pedro de Noronha e o grande orador Vasco Fernandes de Lucena, secretariado pelo cronista Rui de Pina.
O nosso rei também perseguia outro objectivo importante. Um vez liquidada internamente a oposição da nobreza em Portugal, continuavam a existir alguns atritos com outra classe não menos importante, o clero.
A impressão geral que existia no Vaticano, sobre Portugal no tempo do anterior papa Xisto IV, não era a melhor, minada pelo cardeal da Alpedrinha, D. Jorge da Costa (assim conhecido por ser natural daquela localidade) e que vivia em Roma, atendendo à incompatibilidade com D.João II, ao mesmo tempo que minava a opinião sobre o rei de Portugal, junto do Vaticano.
Esta embaixada também pretendia repor a boa imagem do País, aproveitando a nomeação dum novo Papa.
Xisto IV chegara a acusar D.João II de "usurpar a liberdade religiosa e os direitos da igreja, como de tentar extingui-la inteiramente por meio de constituições novas e insólitas". Um rei extremamente devoto, foi o primeiro monarca português que teve capela no paço, onde todos os dias ouvia missa e rezava no seu oratório particular.
O primeiro passo da embaixada foi a reconciliação com o influente Alpedrinha (quanto terá custado à coroa ? ), que dada a sua influência, agora ao serviço de D.João II, veio a conseguir alcançar os objectivos em pleno.
Nesse mesmo ano, Inocêncio VIII, concede a bula da cruzada, importantíssima para a época, que consistia que para a "empresa de África", para todos os seus participantes eram concedidas indulgências e remissões dos pecados. além doutras decisões de ordem financeira, que envolvia as comunidades religiosas e outras decisões aparentemente, de menor importância vistas a olhos de hoje, mas importantíssimas na época, como a autorização para se reunirem num só todos os hospitais existentes em Lisboa, que deu origem ao Hospital de Todos os Santos, que viria a desaparecer com o terramoto de 1755.
O nosso rei também perseguia outro objectivo importante. Um vez liquidada internamente a oposição da nobreza em Portugal, continuavam a existir alguns atritos com outra classe não menos importante, o clero.
A impressão geral que existia no Vaticano, sobre Portugal no tempo do anterior papa Xisto IV, não era a melhor, minada pelo cardeal da Alpedrinha, D. Jorge da Costa (assim conhecido por ser natural daquela localidade) e que vivia em Roma, atendendo à incompatibilidade com D.João II, ao mesmo tempo que minava a opinião sobre o rei de Portugal, junto do Vaticano.
Esta embaixada também pretendia repor a boa imagem do País, aproveitando a nomeação dum novo Papa.
Xisto IV chegara a acusar D.João II de "usurpar a liberdade religiosa e os direitos da igreja, como de tentar extingui-la inteiramente por meio de constituições novas e insólitas". Um rei extremamente devoto, foi o primeiro monarca português que teve capela no paço, onde todos os dias ouvia missa e rezava no seu oratório particular.
O primeiro passo da embaixada foi a reconciliação com o influente Alpedrinha (quanto terá custado à coroa ? ), que dada a sua influência, agora ao serviço de D.João II, veio a conseguir alcançar os objectivos em pleno.
Nesse mesmo ano, Inocêncio VIII, concede a bula da cruzada, importantíssima para a época, que consistia que para a "empresa de África", para todos os seus participantes eram concedidas indulgências e remissões dos pecados. além doutras decisões de ordem financeira, que envolvia as comunidades religiosas e outras decisões aparentemente, de menor importância vistas a olhos de hoje, mas importantíssimas na época, como a autorização para se reunirem num só todos os hospitais existentes em Lisboa, que deu origem ao Hospital de Todos os Santos, que viria a desaparecer com o terramoto de 1755.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
A conspiração não morreu
A execução do duque de Bragança. não pôs termo à conjura que continuava a minar grande parte da corte de D.João II, muita da nobreza habituada aos favores de D.Afonso V, não aceitava as alterações impostas por D.João II.
Muitos dos contornos dessa conjura era do conhecimento do Rei. D.João II sabia que o seu cunhado o duque de Viseu, irmão da Rainha D.Leonor, estava comprometido na conspiração chefiada pelo duque de Bragança, muito embora no decorrer do processo levantado a D.Fernando tenha deixado o seu nome de fora.
Logo no dia seguinte à execução do Bragança. tentou falar com ele, no aposentos da irmã, chamando-o à razão pensando que processo e a execução deste, pudesse ser suficiente para o fazer arrepiar caminho.
Propôs-lhe, com o seu perdão a atitude de arrependimento para com os actos de insubordinação que já havia demonstrado, desde os seus tempo passado na corte de Castela, em que colaborara para a intriga contra o seu Rei.
Quanto aos outros membros da conspiração, o exaltado marquês de Montemor, refugiado em Castela e clamando pela ajuda dos Reis Católicos, para uma acção armada contra Portugal, ideia que nunca foi bem acolhida por aqueles monarcas, acabou julgado à revelia e condenado também à morte, tendo a sua efigie um boneco de pano, sido decapitado.
O certo é que, embora não se sabendo exactamente os motivos, o marquês de Montemor, pouco tempo depois quando se encontrava em Sevilha, acabou por morrer, sabe-se lá se por força dum veneno ministrado à socapa.
O certo é que, embora não se sabendo exactamente os motivos, o marquês de Montemor, pouco tempo depois quando se encontrava em Sevilha, acabou por morrer, sabe-se lá se por força dum veneno ministrado à socapa.
O seu irmão o conde de Faro, morria igualmente pouco tempo depois lá por terras da Andaluzia.
Mas os tentáculos da rede eram bem grandes e continuavam mesmo internamente a conspirar. D.Garcia de Menezes, o bispo de Évora, mais o seu irmão Fernando, Fernão da Silveira (Alvito), os Atouguias, Álvaro e Pedro, o conde de Penamacor, destacavam-se entre muitos outros.
Mais uma vez, a teia de amigos do rei, por via duma jovem amante do bispo de Évora, consegue saber da intriga que urdiam, que consistia em matar o rei D.João e o jovem príncipe herdeiro D. Afonso e conduzir ao trono o parente mais próximo de D.João, exactamente o duque de Viseu.
Mais uma vez D.João II estava na posse de toda a informação, sobre a conjura para o liquidar. Eram pessoas que frequentavam a corte e com ele se cruzavam todos os dias, mas nem sonhavam, estar o rei de posse desse segredo.
Várias tentativas de assassinato do Rei, foram tornadas infrutíferas, até que a situação acabou por se inverter e muito embora vários cronistas tenham dos pormenores informações diferentes no essencial, coincidem D.Diogo o duque de Viseu morreu apunhalado pelo próprio rei no dia 21 de Agosto de 1484 em Setúbal.
Quase todos os implicados, foram mortos alguns por "terrível acidente" com comida estragada, como no caso do bispo de Évora, ou por imprecaução e tropeção nalgum punhal mal acondicionado como D.Guterre Coutinho.
O irmão do bispo Fernando de Menezes foi executado na praça de Setúbal e dos que fugiram apenas o conde de Penamacor, ao refugiar-se em Inglaterra e posteriormente em Roma onde viria a falecer de morte natural, desta vez não foi prenunciada a palavra veneno.
Outra sorte teve o riquíssimo judeu também implicado Isac Abravanel que muito embora julgado e condenado à morte, conseguiu fugir, sabe-se lá porquê para Veneza.
Outros acontecimentos em Portugal
Mas os tentáculos da rede eram bem grandes e continuavam mesmo internamente a conspirar. D.Garcia de Menezes, o bispo de Évora, mais o seu irmão Fernando, Fernão da Silveira (Alvito), os Atouguias, Álvaro e Pedro, o conde de Penamacor, destacavam-se entre muitos outros.
Mais uma vez, a teia de amigos do rei, por via duma jovem amante do bispo de Évora, consegue saber da intriga que urdiam, que consistia em matar o rei D.João e o jovem príncipe herdeiro D. Afonso e conduzir ao trono o parente mais próximo de D.João, exactamente o duque de Viseu.
Mais uma vez D.João II estava na posse de toda a informação, sobre a conjura para o liquidar. Eram pessoas que frequentavam a corte e com ele se cruzavam todos os dias, mas nem sonhavam, estar o rei de posse desse segredo.
Várias tentativas de assassinato do Rei, foram tornadas infrutíferas, até que a situação acabou por se inverter e muito embora vários cronistas tenham dos pormenores informações diferentes no essencial, coincidem D.Diogo o duque de Viseu morreu apunhalado pelo próprio rei no dia 21 de Agosto de 1484 em Setúbal.
Quase todos os implicados, foram mortos alguns por "terrível acidente" com comida estragada, como no caso do bispo de Évora, ou por imprecaução e tropeção nalgum punhal mal acondicionado como D.Guterre Coutinho.
O irmão do bispo Fernando de Menezes foi executado na praça de Setúbal e dos que fugiram apenas o conde de Penamacor, ao refugiar-se em Inglaterra e posteriormente em Roma onde viria a falecer de morte natural, desta vez não foi prenunciada a palavra veneno.
Outra sorte teve o riquíssimo judeu também implicado Isac Abravanel que muito embora julgado e condenado à morte, conseguiu fugir, sabe-se lá porquê para Veneza.
Outros acontecimentos em Portugal
- Expedição de João Afonso Aveiro ao Benin
Algumas dúvidas subsistem em torno desta figura, nomeadamente pelo facto de ao tempo, diversos homónimos coexistirem, com relevo para o poeta do Cancioneiro Geral e para o destemido homem do mar, consagrado pelas viagens ao Golfo da Guiné e mais para sul.Sobre este, discutindo-se ainda se "Aveiro" indicaria naturalidade ou nome, não há dúvida da excelência do seu contributo nos Descobrimentos, salientado pelas crónicas do tempo que indicam que, por ele, em 1484, "foi primeiramente descoberta a terra do Benim além da Mina, nos rios dos Escravos", indicando-se que foi ele quem trouxe a primeira pimenta da Guiné.
Destas descobertas e outras realizadas pelo navegador advieram enormes vantagens comerciais e políticas que o rei rapidamente aproveitou, sobretudo na Flandres e no Vaticano, passando-se a um capítulo de evangelização sem precedentes nas Terras descobertas e a um negócio sistemático, pelas boas relações conseguidas. Sabe-se que João Afonso de Aveiro ali fez várias viagens.
(retirado de Serviços de Documentação da Universidade de Aveiro)
- Fundação do Hospital das Caldas da Rainha por D.Leonor
Hospital Termal das Caldas da Rainha é o mais antigo do mundo, contando já com cinco séculos de existência.
Em 1484, a Rainha D. Leonor, esposa de D.João II, ia em direcção à Batalha e, ao passar pelo sítio onde se viria a erguer as Caldas, viu alguns pobres metidos em "prezas daquelas águas cálidas que saíam da fonte fumegando".
Perante a sua curiosidade foi-lhe respondido que eram doentes de "frialdades", e que naquelas águas encontravam remédio para os seus padecimentos. D. Leonor decidiu então criar comodidades a todos os que ali iam.
A fama das termas deve-se às suas águas, especialmente indicadas no tratamento de reumatismos, afecções respiratórias, perturbações do aparelho locomotor e desintoxicações.
Em 1484, a Rainha D. Leonor, esposa de D.João II, ia em direcção à Batalha e, ao passar pelo sítio onde se viria a erguer as Caldas, viu alguns pobres metidos em "prezas daquelas águas cálidas que saíam da fonte fumegando".
Perante a sua curiosidade foi-lhe respondido que eram doentes de "frialdades", e que naquelas águas encontravam remédio para os seus padecimentos. D. Leonor decidiu então criar comodidades a todos os que ali iam.
A fama das termas deve-se às suas águas, especialmente indicadas no tratamento de reumatismos, afecções respiratórias, perturbações do aparelho locomotor e desintoxicações.
domingo, 20 de janeiro de 2008
A execução do duque de Bragança
Foi no dia 29 de Junho de 1483, que o foram buscar à torre onde se encontrava preso. Levaram-no numa mula até ao centro de Évora na praça hoje conhecida como do Geraldo.
O duque mostrou sempre grande serenidade. Almoçou figos e vinho tendo ainda dormitado um pouco já que estava um dia intenso de Verão.
Ditando depois as suas últimas vontades, mandando pelo seu confessor um recado para o rei "peço perdão a Deus e ao rei também lhe perdoo .... e que por ora da minha morte se saiba fazer amar porque temor sem amor não pode durar muito.
Já em cima do cadafalso,, olhando a multidão irada que lhe chamava traidor, relembrou a história da execução do Duque de Nemours, cruelmente executado à ordem de Luís XI e que o próprio D.João II lhe havia contado e exclamou "Ah ! como em França".
O cerimonial seguinte é de extrema cortesia e respeito, onde o próprio condenado pergunta ao carrasco o que fazer em seguida, tendo este dito "haveis de deitar sobre este tabuleiro de costas", ajudando com todo o respeito o condenado a ajeitar-se melhor.
Sacando rapidamente um machado em brilho, ergue-o de dum só golpe decepou a cabeça do Duque .
D.João II aguardava taciturno no paço o dobrar do sinos. Ao acontecer levantou-se da cadeira e caindo de joelhos disse para os cortesãos que o acompanhavam "Rezemos pela alma do duque".
Rezou longamente enquanto as lágrimas lhe corriam pela face.
O duque mostrou sempre grande serenidade. Almoçou figos e vinho tendo ainda dormitado um pouco já que estava um dia intenso de Verão.
Ditando depois as suas últimas vontades, mandando pelo seu confessor um recado para o rei "peço perdão a Deus e ao rei também lhe perdoo .... e que por ora da minha morte se saiba fazer amar porque temor sem amor não pode durar muito.
Já em cima do cadafalso,, olhando a multidão irada que lhe chamava traidor, relembrou a história da execução do Duque de Nemours, cruelmente executado à ordem de Luís XI e que o próprio D.João II lhe havia contado e exclamou "Ah ! como em França".
O cerimonial seguinte é de extrema cortesia e respeito, onde o próprio condenado pergunta ao carrasco o que fazer em seguida, tendo este dito "haveis de deitar sobre este tabuleiro de costas", ajudando com todo o respeito o condenado a ajeitar-se melhor.
Sacando rapidamente um machado em brilho, ergue-o de dum só golpe decepou a cabeça do Duque .
D.João II aguardava taciturno no paço o dobrar do sinos. Ao acontecer levantou-se da cadeira e caindo de joelhos disse para os cortesãos que o acompanhavam "Rezemos pela alma do duque".
Rezou longamente enquanto as lágrimas lhe corriam pela face.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Julgamento de D.Fernando 3º duque de Bragança(1483)
A prisão do homem mais importante do Reino, senhor de metade do país, levantou grande agitação que rapidamente se espalhou por todo o Reino. D.Fernando o grande duque de Bragança, que não cessava de acumular honrarias, estava detido e acusado de traição.
Pola lei e pola grey, havia sido a divisa de D.João II, quando tomara o poder e o povo instintivamente tomou nas ruas o seu partido, para mais conhecendo e sentindo na pele, as extorsões e os abusos que os nobres e os Braganças em particular se distinguiam.
Na noite da prisão de D.Fernando, D.João II convocou um conselho dos principais fidalgos e cidadãos de Évora a quem expôs os motivo que o levaram a ordenar a prisão do duque. Exibiu perante todos os documentos que comprometiam o preso e que o indiciavam num subterrânea manobra de traição.
O prisioneiro era tratado com toda a deferência, as refeições eram lhe servidas com toda a pompa e o cerimonial que ele costumava rodear-se. Todos os dias se dizia missa no seu confortável cárcere e tinha a liberdade de receber o confessor e de falar com os seus agentes e conselheiros.
As reuniões do conselho continuavam acaloradas e os mais extremistas perante provas tão evidentes defendiam que o rei o deveria mandar executar sumariamente. Que segundo as crónicas de Rui de Pina motivaram grande sobressalto e bastantes lágrimas em D.João.
Ele não queria essa crueldade declarava entre prantos, queria que o seu primo fosse julgado, com ampla liberdade de defesa. conforme as leis e usos e que tinha esperança que D.Fernando fosse ilibado.
Os amigos do duque pretenderam ver nessa atitude, uma tendência para o indulto ao duque e a todos os outros implicados, propondo-lhe o perdão e em troca da sua fidelidade futura o rei ficaria com todas as suas fortalezas e as dos fidalgos que lhe fazia esse pedido.
O rei disse que ia pensar no assunto, mas mais uma vez como Rui de Pina explica, deve salientar-se a cautela e a estratégia de D.João II, pois o que queria era ganhar tempo para saber de Castela iria para a guerra perante esta entrega de fortalezas e se as mesma ofereceriam resistência ao entregarem-se.
Os Reis católicos não "comprariam" essa guerra veio a saber-se, sacudindo a água do capote, disseram não conhecer os pormenores do caso, muito embora confiassem na clemência real, para com tão alto vassalo.
Quanto aos alcaides das referidas fortalezas nem um só deixaria de entregar as fortalezas que tinham à sua guarda.
Porém o que D.João II queria não era os bens, mas acima de tudo que se fizesse justiça. Formado o tribunal, aos defensores do duque, pediu D.João II que defendessem bem o réu , que os compensaria devidamente.
O libelo acusatório compunha-se de 22 artigos, que foram lidos em voz ao alta, mostrando o duque grande surpresa, pois por certo muitos deles julgava bem secretos.
D.Fernando, assistiu a duas sessões ouvindo os homens de leis discutir o seu caso. Á terceira sessão já não quis comparecer apesar de ter sido mandado chamar pelo rei, mandando dizer, resumidamente que "estava com o seu confessor tratando de assuntos da alma e do outro mundo, porque para os deste Mundo, ele que é juiz, que as julgue e as determine como quiser, porque a ida da minha pessoa não é necessária".
D.João II mandou de imediato evacuar a sala de tribunal e comovidíssimo disse aos magistrados que cumprissem com o seu dever, com justiça.
Ao voto de cada juiz, el-rei chorava com muitos soluços e muita tristeza, tendo o veredicto levado dois dias a elaborar.
Por fim a sentença
Que vistos merecimentos do processo, conformando-se no caso com as Leis do Reino e Imperiais e com a Aura e mui lealdade que aos Reis deste Reino de Portugal se devia sobre todos, acordaram que morresse morte natural e fosse na praça da cidade de Évora publicamente degolado e perdesse todos os seus bens, assim os patrimoniais, como os da Coroa, para o Fisco e Real Coroa de el-Rei.
Foi em pranto que D.João II, pôs seu passe a esta sentença.
Para muitos historiógrafos as atitudes de D.João II neste julgamento e na condenação são manifestações de hipocrisia, que as lágrimas eram fingidas e mero exercício de expropriação e acto de reforço do poder central.
Para outros sinceras e reflexo dum príncipe do Renascimento dentro do qual havia duas personalidades em luta a do homem de Estado e do Humanista
Pola lei e pola grey, havia sido a divisa de D.João II, quando tomara o poder e o povo instintivamente tomou nas ruas o seu partido, para mais conhecendo e sentindo na pele, as extorsões e os abusos que os nobres e os Braganças em particular se distinguiam.
Na noite da prisão de D.Fernando, D.João II convocou um conselho dos principais fidalgos e cidadãos de Évora a quem expôs os motivo que o levaram a ordenar a prisão do duque. Exibiu perante todos os documentos que comprometiam o preso e que o indiciavam num subterrânea manobra de traição.
O prisioneiro era tratado com toda a deferência, as refeições eram lhe servidas com toda a pompa e o cerimonial que ele costumava rodear-se. Todos os dias se dizia missa no seu confortável cárcere e tinha a liberdade de receber o confessor e de falar com os seus agentes e conselheiros.
As reuniões do conselho continuavam acaloradas e os mais extremistas perante provas tão evidentes defendiam que o rei o deveria mandar executar sumariamente. Que segundo as crónicas de Rui de Pina motivaram grande sobressalto e bastantes lágrimas em D.João.
Ele não queria essa crueldade declarava entre prantos, queria que o seu primo fosse julgado, com ampla liberdade de defesa. conforme as leis e usos e que tinha esperança que D.Fernando fosse ilibado.
Os amigos do duque pretenderam ver nessa atitude, uma tendência para o indulto ao duque e a todos os outros implicados, propondo-lhe o perdão e em troca da sua fidelidade futura o rei ficaria com todas as suas fortalezas e as dos fidalgos que lhe fazia esse pedido.
O rei disse que ia pensar no assunto, mas mais uma vez como Rui de Pina explica, deve salientar-se a cautela e a estratégia de D.João II, pois o que queria era ganhar tempo para saber de Castela iria para a guerra perante esta entrega de fortalezas e se as mesma ofereceriam resistência ao entregarem-se.
Os Reis católicos não "comprariam" essa guerra veio a saber-se, sacudindo a água do capote, disseram não conhecer os pormenores do caso, muito embora confiassem na clemência real, para com tão alto vassalo.
Quanto aos alcaides das referidas fortalezas nem um só deixaria de entregar as fortalezas que tinham à sua guarda.
Porém o que D.João II queria não era os bens, mas acima de tudo que se fizesse justiça. Formado o tribunal, aos defensores do duque, pediu D.João II que defendessem bem o réu , que os compensaria devidamente.
O libelo acusatório compunha-se de 22 artigos, que foram lidos em voz ao alta, mostrando o duque grande surpresa, pois por certo muitos deles julgava bem secretos.
D.Fernando, assistiu a duas sessões ouvindo os homens de leis discutir o seu caso. Á terceira sessão já não quis comparecer apesar de ter sido mandado chamar pelo rei, mandando dizer, resumidamente que "estava com o seu confessor tratando de assuntos da alma e do outro mundo, porque para os deste Mundo, ele que é juiz, que as julgue e as determine como quiser, porque a ida da minha pessoa não é necessária".
D.João II mandou de imediato evacuar a sala de tribunal e comovidíssimo disse aos magistrados que cumprissem com o seu dever, com justiça.
Ao voto de cada juiz, el-rei chorava com muitos soluços e muita tristeza, tendo o veredicto levado dois dias a elaborar.
Por fim a sentença
Que vistos merecimentos do processo, conformando-se no caso com as Leis do Reino e Imperiais e com a Aura e mui lealdade que aos Reis deste Reino de Portugal se devia sobre todos, acordaram que morresse morte natural e fosse na praça da cidade de Évora publicamente degolado e perdesse todos os seus bens, assim os patrimoniais, como os da Coroa, para o Fisco e Real Coroa de el-Rei.
Foi em pranto que D.João II, pôs seu passe a esta sentença.
Para muitos historiógrafos as atitudes de D.João II neste julgamento e na condenação são manifestações de hipocrisia, que as lágrimas eram fingidas e mero exercício de expropriação e acto de reforço do poder central.
Para outros sinceras e reflexo dum príncipe do Renascimento dentro do qual havia duas personalidades em luta a do homem de Estado e do Humanista
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Acontecimentos no ano de 1483
- Junho,20-Prisão do Duque de Bragança
O agravar das relações entra os Braganças e a Coroa, dá-se após as Cortes de Évora do ano anterior, como aqui foram descritas "em causa estava a autoridade real e a entrada dos corregedores do rei em terras de nobres ", que ao poderoso D.Fernando duque de Bragança, se configurou uma terrível ofensa.
Mandou procurar nos seus domínios de Vila Viçosa, as escrituras de doações e privilégios, concedidos à sua casa ducal pelos Reis antecedentes, para salvaguardar a sua argumentação, mas que afinal haveria de o perder.
De uma encomenda inicial ao bacharel em letras João Afonso, para fazer essa pesquisa na papelada de Vila Viçosa e que este, adjudicaria por sua vez a seu filho, ainda jovem, tal tarefa, difícil e morosa, não estando devidamente esclarecida a razão dessa transferência, a um jovem ainda inexperiente.
Ainda menos clara é a intencionalidade da "ajuda" que um tal Lopo de Figueiredo, oportunamente, surge a prestar ao jovem filho de João Afonso.
Oficialmente, homem da confiança do Duque de Bragança, parece que afinal estaria secretamente pago pela coroa, para outro tipo de investigação.
Entre os papéis pesquisados, havia afinal minutas de mensagens para os Reis de Castela, escritas pela própria mão do Duque de Bragança, que Lopo de Figueiredo ocultando do seu companheiro de tarefa, veio denunciar junto do Rei.
D.João II mandou copiar as cartas em sigilo mandando depois Figueiredo voltar a coloca-las onde as havia tirado.
As cartas revelavam factos inequívocos de conspiração entre o Duque de Bragança e os Reis Católicos, nomeadamente nas propostas de oferta de serviços, para defesa dos interesse dos Reis Castelhanos.
Face a estas evidências, não pôde contudo de imediato D.João II, tomar providência, porque pelas mesma fontes, a referida correspondência, temeu pela vida dos seus filhos, presos ao contratado com Castela e reféns em Moura, em Terçarias, pelo que havia primeiro que resolver este assunto. Assim procedeu D.João II, da forma que abaixo se explica.
Entretanto, neste mesmo ano, a rainha D.Leonor, tinha um parto mal sucedido, encontrando-se em Almeirim, entre a vida e a morte.
O duque de Bragança visitou a sua cunhada D.Leonor e por essa ocasião, contam alguns historiógrafos, o rei terá manifestado grande satisfação pela visita, em situação de perfeita encenação teatral, como se viria a perceber mais tarde.
Aproveitou contudo a ocasião para em privado, com apenas uma testemunha presente, o bispo de Viseu, dar a saber ao duque de Bragança, que tem conhecimento dos seus entendimentos com Castela. Fê-lo duma forma amistosa e manifestando a sua disponibilidade para perdoar e tudo esquecer, desde que a principal casa nobre de Portugal, sirva a coroa com lealdade.
Embora aparentemente tenha aquiescido, pode admitir-se que D.Fernando terá interpretado este gesto de D.João II como um sinal de fraqueza.
Tanto assim que continuou a reunir-se com os seus apaniguados e familiares cada vez mais cientes que D.João II os temia, tanto assim que mandara os seus corregedores (modernamente seriam fiscais das finanças),não entrar nas terras do duque de Bragança.
Não tinham levado em conta, que só a demora do fim das Teçarias, colhia os movimentos do rei.
Quando esse momento chegou, grandes festejos aconteceram e na sequências dos mesmos e da visita do duque de Bragança, com toda a descrição possível, D.João II, acompanha-o, ao mesmo que lhe promete mandar investigar as calúnias de traição que era alvo, segundo lhe dizia o duque Fernando.
Quase por acaso entraram numa sala onde estavam os camareiros reais, tendo D.João II lhe dito que para melhor segurança e rigor no inquérito, convinha que ele duque ficasse ali detido.
Dizendo isto retirou, deixando o poderoso D.Fernando duque de Bragança, preso às ordens dos seus camareiros.
- Maio,24-Terminam as Terçarias de Moura.
As Terçarias de Moura surgem na sequência do Tratado de Alcáçovas, assinado em 1479, que veio por fim ao diferendo sobre a sucessão dinástica da coroa de Castela á qual D.Afonso V, se havia perfilado como pretendente, foram assinadas cláusulas matrimoniais e respectivas Terçarias, que se podem traduzir como garantias, para cumprimento de contratos.
Estas Terçarias de Moura, envolviam o seu filho D.Afonso, prometido em casamento aos 7 anos por palavras de futuro e aos 14 por palavras de presente, à infanta D. Isabel filha dos Reis de Castela.
Por sua vez D.Joana deveria casar com o príncipe D. João de Castela, quando este atingisse a idade de 14 anos.
Ficariam entretanto os 3 (D.Joana, D.João e D.Isabel), à guarda em Moura da infanta D.Beatriz, que era a viúva de D.Fernando duque de Viseu irmão de D.Afonso V e cunhada de D.João II, por ser irmã da Rainha D.Leonor e também tia de Isabel rainha de Leão e Castela. com quem Portugal estivera em guerra por causa da Beltraneja.
(este acordo tem desenvolvimento do blogue de D.Afonso V referente à data em que teve lugar).
Era esta a teia que D.João II tinha que desembaraçar, antes de intentar o ajuste de contas com o duque de Bragança.
Finalmente foi obtido o acordo com Castela, para por termo às terçarias, ajustando-se o casamento do príncipe D.Afonso com a infanta D.Isabel, tendo o Prior do Prado, enviado dos Reis Católicos, declarado que em virtude da confiança que reinava entre Portugal e Castela, já as terçarias se tornavam desnecessárias como garantia de paz. Partindo então a infanta Isabel para Castela, tendo ficado o infante D.João liberto dos seu cativeiro com apenas 8 anos de idade.
Quanto a D.Joana a Beltraneja, a verdadeira chave do problema para Isabel de Castela, recusou-se casar com o primo - por considerar vexatório, para a sua posição de herdeira natural, ter que casar com o herdeiro de quem lhe roubara o trono para o poder vir a recuperar no futuro - e retirou-se para um convento.
Abandonou suas reclamações, tomou o véu no mosteiro de Santa Clara em Santarém, e o direito de Isabel a Católica,ao trono de Castela, se tornou inquestionável.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Acontecimentos no ano de 1482
- Fevereiro,28-Renovação por Portugal dos tratados assinados por D.João I com a Inglaterra.
A D.João II interessa, para além da expressão do desenvolvimento do plano das descobertas, garantir a segurança da navegação no Atlântico. Foi pois nesse sentido que foi enviada uma delegação a Inglaterra, com o objectivo de confirmar junto da coroa inglesa, as alianças antigas estabelecidas no tempo de D.João I.
A Inglaterra viria a confirmar em Setembro deste mesmo ano, as alianças anteriores.
A Inglaterra viria a confirmar em Setembro deste mesmo ano, as alianças anteriores.
- Partida de Lisboa de Diogo Cão.
Diogo Cão pensa-se que nascido em Vila Real, já era um navegador experiente e conhecedor da navegação nas costas da Guiné, foi escolhido para nova aventura. Ainda existe alguma controversa, acerca do número de viagens comandadas por Diogo Cão, mas parece incontestável, e saída de duas caravelas de Lisboa nos primeiros meses deste ano.
Passando o limite das anteriores viagens, o cabo de Santa Catarina, teriam explorado a costa até ao rio Zaire, implantando na sua margem o padrão de São Jorge.
Após ter enviado emissários a um grande rei congolês Nzinga-a-Nkuwu, a expedição prossegue viagem até ao cabo Lobo (actualmente de Santa Maria), onde terá colocado o padrão de Santo Agostinho.
De regresso a armada volta a para na foz do Zaire, na tentativa infrutífera de recolha dos emissários, capturando então alguns autóctones .
Estaria de volta em 1484, após ter descoberto a ilha de Ano Bom
Diogo Cão, introduziu a utilização dos padrões de pedra, em lugar das cruzes de madeira, para assinalar a presença portuguesa nas zonas descobertas.
Passando o limite das anteriores viagens, o cabo de Santa Catarina, teriam explorado a costa até ao rio Zaire, implantando na sua margem o padrão de São Jorge.
Após ter enviado emissários a um grande rei congolês Nzinga-a-Nkuwu, a expedição prossegue viagem até ao cabo Lobo (actualmente de Santa Maria), onde terá colocado o padrão de Santo Agostinho.
De regresso a armada volta a para na foz do Zaire, na tentativa infrutífera de recolha dos emissários, capturando então alguns autóctones .
Estaria de volta em 1484, após ter descoberto a ilha de Ano Bom
Diogo Cão, introduziu a utilização dos padrões de pedra, em lugar das cruzes de madeira, para assinalar a presença portuguesa nas zonas descobertas.
- Novembro-Cortes de Santarém.
Etiquetas:
04-Ano de 1482,
04.00-A 1ª viagem de Diogo Cão,
04.01-Renovação de tratados com a Inglaterra,
04.02-Cortes de Santarém,
Cortes,
w-Diogo Cão,
z1482
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Acontecimentos no ano de 1481
- Setembro,01-Início do reinado de D.João II que durou 14 anos.
Foi a 31 de Agosto no jogo da péla em Sintra na cerimónia de aclamação que D.João II, perante prelados e fidalgos, proferiu o seguinte juramento
" Juramos e prometemos de com a graça de Deus vos reger, governar bem e directamente e vos ministrar inteiramente justiça, quanto a humana fraqueza permite e de vos guardar vossos privilégios graças e mercês, liberdades franquezas que vos foram dadas e outorgadas por El-Rei meu senhor pai, cuja alma Deus haja e por outros Reis passados seus predecessores"
Logo nesse dia os grandes senhores recebem uma notificação, onde para além, das referência ás formulas protocolares sobre o anuncio da sua coroação, D.João II surpreendia todos, não só pela convocação de cortes para Évora, como pela rígida vassalagem que exigia de todos quer fidalgos quer servos mais humildes, uma fórmula extensa e que todos deviam proclamar, com o monarca sentado e o vassalo ajoelhado na sua frente com as suas mãos nas do rei.
Foi o início da afirmação da autoridade real, não esquecendo que o duque de Bragança era dono de cerca de metade do País esta determinação chocou profundamente o duque, que se julgava quase rei e que não estava habituado a esse tratamento
Perceber-se-á que não foi por acaso, a atitude de D.João II e que o juramento era para cumprir.
" Juramos e prometemos de com a graça de Deus vos reger, governar bem e directamente e vos ministrar inteiramente justiça, quanto a humana fraqueza permite e de vos guardar vossos privilégios graças e mercês, liberdades franquezas que vos foram dadas e outorgadas por El-Rei meu senhor pai, cuja alma Deus haja e por outros Reis passados seus predecessores"
Logo nesse dia os grandes senhores recebem uma notificação, onde para além, das referência ás formulas protocolares sobre o anuncio da sua coroação, D.João II surpreendia todos, não só pela convocação de cortes para Évora, como pela rígida vassalagem que exigia de todos quer fidalgos quer servos mais humildes, uma fórmula extensa e que todos deviam proclamar, com o monarca sentado e o vassalo ajoelhado na sua frente com as suas mãos nas do rei.
Foi o início da afirmação da autoridade real, não esquecendo que o duque de Bragança era dono de cerca de metade do País esta determinação chocou profundamente o duque, que se julgava quase rei e que não estava habituado a esse tratamento
Perceber-se-á que não foi por acaso, a atitude de D.João II e que o juramento era para cumprir.
- Novembro, 12-Cortes de Évora
Imediatamente após o funeral de seu pai para o Mosteiro da Batalha, D.João II convoca a realização de cortes em Évora.
As cortes são realizadas no paço situado ao lado do mosteiro de São Francisco. Muito embora com apenas 26 anos D.João II já tinha vasta experiência de governação, bem como de cortes em particular, atendendo às inúmeras a que assistiu ainda na qualidade de príncipe, organizadas no tempo de seu pai.
Dizem os cronistas da época, que el-rei se ocupou pessoalmente dos detalhes de organização destas em Évora.
Duma forma bastante sucinta pode resumir-se que as Cortes de Évora focaram essencialmente os seguintes aspectos
As cortes são realizadas no paço situado ao lado do mosteiro de São Francisco. Muito embora com apenas 26 anos D.João II já tinha vasta experiência de governação, bem como de cortes em particular, atendendo às inúmeras a que assistiu ainda na qualidade de príncipe, organizadas no tempo de seu pai.
Dizem os cronistas da época, que el-rei se ocupou pessoalmente dos detalhes de organização destas em Évora.
Duma forma bastante sucinta pode resumir-se que as Cortes de Évora focaram essencialmente os seguintes aspectos
- a questão das autoridade real e das honras e privilégios que a nobreza usufruía e que nessa cortes foram violentamente apresentados pelos representantes do povo, diz-se que houve entendimento prévio com o rei para essa denúncia, que agradecendo a denuncia e que iria mandar averiguar a consistência dos abusos denunciados.Tendo inclusivamente tomado de imediato medidas, para acabar com alguns desses abusos por parte da nobreza.
- Ali mesmo a generalidade da nobreza, liderada pelo primo de D.João II o duque de Bragança, a casa mais rica do Reino, habituados como estavam a governar os seus territórios como soberanos sem prestarem contas a ninguém, voltou a manifestar o seu descontentamento.
- Nada fez demover D.João II desse seu intento, nem as cunhas que o Bragança, meteu inclusivamente empenhando a sogra de ambos D.Beatriz a interferir pela causa dos nobres despojados dos seus privilégios de mando absoluto.
- D.João II sempre argumentou em nome da justiça ,dizendo a sua sogra "que o principal dever dum rei é manter a justiça e como os povos lha tinham pedido muito, por nenhuma razão podia ou devia negar-lha" Além disso, cumpria a vontade que seu pai D.Afonso V lhe manifestara, de eliminar abusos que também por certo ele havia contribuído.
- Em causa estava a autoridade real e a entrada dos corregedores do rei em terras de nobres, que se julgavam intocáveis no seu poderio.
- Começa bem a saga do Príncipe Perfeito na sua cruzada interna conta a nobreza rebelde e que viria a culminar anos mais tarde com a execução do Duque de Bragança.
Naturalmente que a consequência mais directa é a sua ligação ao coração do povo a quem prometera justiça, e cumpria.
- Dezembro,12-Partida de Lisboa da frota comandada por Diogo de Azambuja, com destino à Mina.
Uma expedição de onze navios partiu de Lisboa, transportando uma tropa de 600 homens e material pré-fabricado como lastro nos navios. A sua missão era a de erguer uma fortificação com funções de feitoria, o chamado Castelo de São Jorge da Mina, posteriormente denominado como Castelo Velho da Mina.
Ali passaram a ser trocados trigo, tecidos, cavalos e conchas (“zimbo”), por ouro (até 400 kg/ano) e escravos, estes com intensidade crescente a partir do século XVI. Ao abrigo da fortificação-feitoria desenvolveu-se um núcleo urbano geminado, informalmente denominado como “Duas Partes”, um habitado por europeus, outro por nativos. A povoação de São Jorge da Mina viria a receber Carta de Foral em 1486.
Em Setembro deste mesmo ano já Sisto IV havia subscrito a bula Propter tuam concedendo indulgência total a todos os que morreram na descoberta da Costa da Guiné, envolvendo toda a zona costeira do golfo da Guiné.
Ali passaram a ser trocados trigo, tecidos, cavalos e conchas (“zimbo”), por ouro (até 400 kg/ano) e escravos, estes com intensidade crescente a partir do século XVI. Ao abrigo da fortificação-feitoria desenvolveu-se um núcleo urbano geminado, informalmente denominado como “Duas Partes”, um habitado por europeus, outro por nativos. A povoação de São Jorge da Mina viria a receber Carta de Foral em 1486.
Em Setembro deste mesmo ano já Sisto IV havia subscrito a bula Propter tuam concedendo indulgência total a todos os que morreram na descoberta da Costa da Guiné, envolvendo toda a zona costeira do golfo da Guiné.
domingo, 16 de setembro de 2007
A primeira infancia e a educação
Não o nascimento mas a concepção de D.João foi objecto de entradas muito curiosas dos cronistas quer Garcia de Resende quer Rui de Pina, referindo que estando a família real em Almeirim, e vindo o rei D.Afonso V da caça, chegado a casa , D.Leonor ter-lhe-à contado que nesse dia tinha partido uma esmeralda de um anel que estimava muito, tendo o Rei respondido que tomasse esse acontecimento como um bom sinal, se nesse dia concebessem um filho, viria a estimá-lo mais do que a qualquer esmeralda.
Para além deste detalhe curioso, está registado que D.João foi baptizado uma semana depois do seu nascimento na Sé de Lisboa, apadrinhado pelo seu tio D.Fernando e o marquês de Vila Viçosa e como madrinhas sua tia D.Catarina e D.Beatriz de Menezes.
Poucos dias depois a 25 de Junho de de 1455 é jurado herdeiro do trono, tendo ficado orfão de mãe aos 7 meses
Da sua educação pouco se sabe, Garcia de Resende, diz genericamente que foi educado com muito cuidado, sem grandes Mestres mas com óptimos resultados "cresciam nele, virtudes, bons costumes, bom ensino e boas manhas em tanto crescimento ... el-rei seu pai, não fazia conselho, nem coisa grande em que não o metesse e tomasse o seu parecer".
Sabe-se que a sua educação foi entregue a Diogo Soares de Albergaria e a sua esposa Beatriz, que vieram substituir aos sete anos de idade do jovem príncipe uma outra Beatriz, antiga governanta de sua mãe e que cuidara dele e de sua irmã Joana 3 anos mais velha, na primeira infância.
Não se conhece a seu lado nenhum mestre ou erudito estrangeiro, como sucedeu com seu pai, mas parece que a rica biblioteca do paço, lhe forneceu matéria para estudo, que o seu interesse complementou.
Parece portanto que D.João foi acima de tudo um auto-didacta
Para além deste detalhe curioso, está registado que D.João foi baptizado uma semana depois do seu nascimento na Sé de Lisboa, apadrinhado pelo seu tio D.Fernando e o marquês de Vila Viçosa e como madrinhas sua tia D.Catarina e D.Beatriz de Menezes.
Poucos dias depois a 25 de Junho de de 1455 é jurado herdeiro do trono, tendo ficado orfão de mãe aos 7 meses
Da sua educação pouco se sabe, Garcia de Resende, diz genericamente que foi educado com muito cuidado, sem grandes Mestres mas com óptimos resultados "cresciam nele, virtudes, bons costumes, bom ensino e boas manhas em tanto crescimento ... el-rei seu pai, não fazia conselho, nem coisa grande em que não o metesse e tomasse o seu parecer".
Sabe-se que a sua educação foi entregue a Diogo Soares de Albergaria e a sua esposa Beatriz, que vieram substituir aos sete anos de idade do jovem príncipe uma outra Beatriz, antiga governanta de sua mãe e que cuidara dele e de sua irmã Joana 3 anos mais velha, na primeira infância.
Não se conhece a seu lado nenhum mestre ou erudito estrangeiro, como sucedeu com seu pai, mas parece que a rica biblioteca do paço, lhe forneceu matéria para estudo, que o seu interesse complementou.
Parece portanto que D.João foi acima de tudo um auto-didacta
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Nascimento
Nasceu em Lisboa no Paço das Alcáçovas no Castelo de São Jorge no dia 3 de Maio de 1455. Era filho do rei D.Afonso V de Portugal e de sua prima Isabel de Urgel, princesa de Portugal e filha de D.Pedro e de D. Isabel, duques de Coimbra.
Pelo lado paterno é neto de D.Duarte e da princesa Leonor de Aragão.
As avós são ambas aragonesas e os avós e os pais portugueses É um rei ibérico também nos seus antepassados mais próximos, já que apenas a sua bisavó D.Filipa de Lencastre o não era.
Fica órfão muito cedo pois sua mãe morre em Dezembro, não tendo influência na sua educação, que deve atribuir-se fundamentalmente à tia D.Filipa irmã de sua mãe, mais tarde recolhida em Odivelas.
Pelo lado paterno é neto de D.Duarte e da princesa Leonor de Aragão.
As avós são ambas aragonesas e os avós e os pais portugueses É um rei ibérico também nos seus antepassados mais próximos, já que apenas a sua bisavó D.Filipa de Lencastre o não era.
Fica órfão muito cedo pois sua mãe morre em Dezembro, não tendo influência na sua educação, que deve atribuir-se fundamentalmente à tia D.Filipa irmã de sua mãe, mais tarde recolhida em Odivelas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)