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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A diversificação da política de alianças

A partir de 1484, D.João II tem uma preocupação evidente, libertar-se do que considerava uma excessiva dependência diplomática de Castela. Era a conclusão dos acontecimento nos últimos anos do reinado de seu pai e da própria experiência nos primeiros anos do seu.

Assim em 7 de Janeiro de 1484 é assinado um tratado de aliança com Carlos VIII de França, na sequência de contactos que duravam já há cerca de 1 ano.

Trata-se dum acordo que se propõe pacificar o comércio, normalmente perturbado pelo acção de corsário franceses, demonstrado acima de tudo a intenção referida, mais do que sua importância especifica.

No ano de 1485, em Alcobaça no dia 14 de Agosto, o conselho de estado discute, sobre o casamento de D.Joana irmã do rei com o rei de Inglaterra, Ricardo III. A importância desta discussão é reveladora da preocupação com Castela, já que também existia a possibilidade de Ricardo III se vir a casar com Isabel uma infanta de Castela.

A velha aliança com a Inglaterra, poderia ficar em risco se esse casamento se concretizasse.

O argumento favorável a Portugal era o da descendência de D.Joana, neta duma Lencaster e cujo casamento com o rei Inglês de ascendência York e portanto muito favorável a um apaziguamento entre as duas poderosas famílias em guerra pelo poder.

Independentemente da pouca vontade que sua irmã, (viria a ser conhecida por Santa Joana Princesa, ) sempre mostrara em se casar o certo é que o seu casamento, também não se viria a concretizar porque o pretendente Ricardo III acabaria por falecer nesse mesmo ano no decorrer da batalha de Bosworth Field a última da guerra das rosas.

Ficaram contudo reforçadas as boas relações com o aliado inglês, que pouco mais tarde viriam a ser de novo reforçadas


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A 2ª viagem de Diogo Cão(1485)

Diogo Cão voltou a partir no início de 1485, com o plano de eventualmente ir até ao Índico, recolhendo de caminho os portugueses que havia deixado no Zaire (ver relato da 1ª viagem) e repatriaria os quatros pretos que havia trazido, com todas as honras e luxos, prometendo voltar no regresso.

Prosseguiu ao longo da costa de África para Sul, até ao Cabo da Cruz na que é hoje a Namíbia e onde Diogo Cão plantou o segundo e último dos padrões que havia levado de Lisboa. Padrão esse descoberto 400 anos depois quase intacto, com a seguinte inscrição "Cabo da Cruz. Na era da criação do mundo de 6685 e de Cristo de 1485 o excelente e esclarecido Rei Dom João II de Portugal mandou descobrir esta terra e colocar este padrão por Diogo Cão, cavaleiro de sua casa".

No regresso como prometido Diogo Cão volta a parar no Congo, navegam no rio Zaire, subindo o curso do rio até as cataratas do Yelala, atingindo o extremo navegável do rio. Por outro, a penetração terrestre em direcção a Mbanza Kongo, que mais tarde seria rebaptizada de São Salvador.

Voltando a descer o rio, visita o Rei do Congo, que foi um êxito enorme, pela forma como tinham sido tratados os negros que tinham estado em Portugal e a descrição que fizeram do reino de Portugal.

Na volta a Portugal, foi a vez do Mani Congo mandar sua embaixada a D. João II. Junto dos presentes, pedia "que lhe mandassem logo frades e clérigos e todas as coisas necessárias para ele e os de seus reinos recebessem a água do baptismo", solicitando igualmente o envio de pedreiros, carpinteiros e lavradores que ensinassem em seus reinos a tratar da terra, mulheres para ensinarem a amassar pão, "porque levaria muito contentamento por amor dele que as coisas do seu reino se parecessem com Portugal".

Com Diogo Cão de regresso a Portugal o Mani Congo, regressou Caçuta, um dos pretos que originariamente visitaram Portugal e que foi por certo o primeiro embaixador do Congo em Portugal. Trazia a indicação de que se deveria baptizar, o que aconteceu recebendo o nome cristão de João Silva.

Caçuta foi recebido com todas as honras, mas de Diogo Cão nunca mais se ouviu falar, os cronistas fazem dele um silêncio sepulcral. Terá caído em desgraça junto de D.João II ? Terá morrido na viagem de regresso ? Nunca se soube ao certo o que teria acontecido

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Embaixada ao Papa(1485)

D.João II enviou a Roma uma importante embaixada, com a missão de assegurar ao novo papa Inocêncio VIII, a obediência do reino, tendo como embaixadores o mordomo-mor D.Pedro de Noronha e o grande orador Vasco Fernandes de Lucena, secretariado pelo cronista Rui de Pina.

O nosso rei também perseguia outro objectivo importante. Um vez liquidada internamente a oposição da nobreza em Portugal, continuavam a existir alguns atritos com outra classe não menos importante, o clero.

A impressão geral que existia no Vaticano, sobre Portugal no tempo do anterior papa Xisto IV, não era a melhor, minada pelo cardeal da Alpedrinha, D. Jorge da Costa (assim conhecido por ser natural daquela localidade) e que vivia em Roma, atendendo à incompatibilidade com D.João II, ao mesmo tempo que minava a opinião sobre o rei de Portugal, junto do Vaticano.

Esta embaixada também pretendia repor a boa imagem do País, aproveitando a nomeação dum novo Papa.

Xisto IV chegara a acusar D.João II de "usurpar a liberdade religiosa e os direitos da igreja, como de tentar extingui-la inteiramente por meio de constituições novas e insólitas". Um rei extremamente devoto, foi o primeiro monarca português que teve capela no paço, onde todos os dias ouvia missa e rezava no seu oratório particular.

O primeiro passo da embaixada foi a reconciliação com o influente Alpedrinha (quanto terá custado à coroa ? ), que dada a sua influência, agora ao serviço de D.João II, veio a conseguir alcançar os objectivos em pleno.

Nesse mesmo ano, Inocêncio VIII, concede a bula da cruzada, importantíssima para a época, que consistia que para a "empresa de África", para todos os seus participantes eram concedidas indulgências e remissões dos pecados. além doutras decisões de ordem financeira, que envolvia as comunidades religiosas e outras decisões aparentemente, de menor importância vistas a olhos de hoje, mas importantíssimas na época, como a autorização para se reunirem num só todos os hospitais existentes em Lisboa, que deu origem ao Hospital de Todos os Santos, que viria a desaparecer com o terramoto de 1755.