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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1481


  • Setembro,01-Início do reinado de D.João II que durou 14 anos.
Foi a 31 de Agosto no jogo da péla em Sintra na cerimónia de aclamação que D.João II, perante prelados e fidalgos, proferiu o seguinte juramento

" Juramos e prometemos de com a graça de Deus vos reger, governar bem e directamente e vos ministrar inteiramente justiça, quanto a humana fraqueza permite e de vos guardar vossos privilégios graças e mercês, liberdades franquezas que vos foram dadas e outorgadas por El-Rei meu senhor pai, cuja alma Deus haja e por outros Reis passados seus predecessores"

Logo nesse dia os grandes senhores recebem uma notificação, onde para além, das referência ás formulas protocolares sobre o anuncio da sua coroação, D.João II surpreendia todos, não só pela convocação de cortes para Évora, como pela rígida vassalagem que exigia de todos quer fidalgos quer servos mais humildes, uma fórmula extensa e que todos deviam proclamar, com o monarca sentado e o vassalo ajoelhado na sua frente com as suas mãos nas do rei.

Foi o início da afirmação da autoridade real, não esquecendo que o duque de Bragança era dono de cerca de metade do País esta determinação chocou profundamente o duque, que se julgava quase rei e que não estava habituado a esse tratamento

Perceber-se-á que não foi por acaso, a atitude de D.João II e que o juramento era para cumprir.

  • Novembro, 12-Cortes de Évora
Imediatamente após o funeral de seu pai para o Mosteiro da Batalha, D.João II convoca a realização de cortes em Évora.

As cortes são realizadas no paço situado ao lado do mosteiro de São Francisco. Muito embora com apenas 26 anos D.João II já tinha vasta experiência de governação, bem como de cortes em particular, atendendo às inúmeras a que assistiu ainda na qualidade de príncipe, organizadas no tempo de seu pai.

Dizem os cronistas da época, que el-rei se ocupou pessoalmente dos detalhes de organização destas em Évora.

Duma forma bastante sucinta pode resumir-se que as Cortes de Évora focaram essencialmente os seguintes aspectos
  • a questão das autoridade real e das honras e privilégios que a nobreza usufruía e que nessa cortes foram violentamente apresentados pelos representantes do povo, diz-se que houve entendimento prévio com o rei para essa denúncia, que agradecendo a denuncia e que iria mandar averiguar a consistência dos abusos denunciados.Tendo inclusivamente tomado de imediato medidas, para acabar com alguns desses abusos por parte da nobreza.
  • Ali mesmo a generalidade da nobreza, liderada pelo primo de D.João II o duque de Bragança, a casa mais rica do Reino, habituados como estavam a governar os seus territórios como soberanos sem prestarem contas a ninguém, voltou a manifestar o seu descontentamento.
  • Nada fez demover D.João II desse seu intento, nem as cunhas que o Bragança, meteu inclusivamente empenhando a sogra de ambos D.Beatriz a interferir pela causa dos nobres despojados dos seus privilégios de mando absoluto.
  • D.João II sempre argumentou em nome da justiça ,dizendo a sua sogra "que o principal dever dum rei é manter a justiça e como os povos lha tinham pedido muito, por nenhuma razão podia ou devia negar-lha" Além disso, cumpria a vontade que seu pai D.Afonso V lhe manifestara, de eliminar abusos que também por certo ele havia contribuído.
  • Em causa estava a autoridade real e a entrada dos corregedores do rei em terras de nobres, que se julgavam intocáveis no seu poderio.
  • Começa bem a saga do Príncipe Perfeito na sua cruzada interna conta a nobreza rebelde e que viria a culminar anos mais tarde com a execução do Duque de Bragança.
Naturalmente que a consequência mais directa é a sua ligação ao coração do povo a quem prometera justiça, e cumpria.

  • Dezembro,12-Partida de Lisboa da frota comandada por Diogo de Azambuja, com destino à Mina.
Uma expedição de onze navios partiu de Lisboa, transportando uma tropa de 600 homens e material pré-fabricado como lastro nos navios. A sua missão era a de erguer uma fortificação com funções de feitoria, o chamado Castelo de São Jorge da Mina, posteriormente denominado como Castelo Velho da Mina.

Ali passaram a ser trocados trigo, tecidos, cavalos e conchas (“zimbo”), por ouro (até 400 kg/ano) e escravos, estes com intensidade crescente a partir do século XVI. Ao abrigo da fortificação-feitoria desenvolveu-se um núcleo urbano geminado, informalmente denominado como “Duas Partes”, um habitado por europeus, outro por nativos. A povoação de São Jorge da Mina viria a receber Carta de Foral em 1486.

Em Setembro deste mesmo ano já Sisto IV havia subscrito a bula Propter tuam concedendo indulgência total a todos os que morreram na descoberta da Costa da Guiné, envolvendo toda a zona costeira do golfo da Guiné.


domingo, 16 de setembro de 2007

A primeira infancia e a educação

Não o nascimento mas a concepção de D.João foi objecto de entradas muito curiosas dos cronistas quer Garcia de Resende quer Rui de Pina, referindo que estando a família real em Almeirim, e vindo o rei D.Afonso V da caça, chegado a casa , D.Leonor ter-lhe-à contado que nesse dia tinha partido uma esmeralda de um anel que estimava muito, tendo o Rei respondido que tomasse esse acontecimento como um bom sinal, se nesse dia concebessem um filho, viria a estimá-lo mais do que a qualquer esmeralda.

Para além deste detalhe curioso, está registado que D.João foi baptizado uma semana depois do seu nascimento na Sé de Lisboa, apadrinhado pelo seu tio D.Fernando e o marquês de Vila Viçosa e como madrinhas sua tia D.Catarina e D.Beatriz de Menezes.

Poucos dias depois a 25 de Junho de de 1455 é jurado herdeiro do trono, tendo ficado orfão de mãe aos 7 meses

Da sua educação pouco se sabe, Garcia de Resende, diz genericamente que foi educado com muito cuidado, sem grandes Mestres mas com óptimos resultados "cresciam nele, virtudes, bons costumes, bom ensino e boas manhas em tanto crescimento ... el-rei seu pai, não fazia conselho, nem coisa grande em que não o metesse e tomasse o seu parecer".

Sabe-se que a sua educação foi entregue a Diogo Soares de Albergaria e a sua esposa Beatriz, que vieram substituir aos sete anos de idade do jovem príncipe uma outra Beatriz, antiga governanta de sua mãe e que cuidara dele e de sua irmã Joana 3 anos mais velha, na primeira infância.

Não se conhece a seu lado nenhum mestre ou erudito estrangeiro, como sucedeu com seu pai, mas parece que a rica biblioteca do paço, lhe forneceu matéria para estudo, que o seu interesse complementou.

Parece portanto que D.João foi acima de tudo um auto-didacta

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Nascimento

Nasceu em Lisboa no Paço das Alcáçovas no Castelo de São Jorge no dia 3 de Maio de 1455. Era filho do rei D.Afonso V de Portugal e de sua prima Isabel de Urgel, princesa de Portugal e filha de D.Pedro e de D. Isabel, duques de Coimbra.

Pelo lado paterno é neto de D.Duarte e da princesa Leonor de Aragão.

As avós são ambas aragonesas e os avós e os pais portugueses É um rei ibérico também nos seus antepassados mais próximos, já que apenas a sua bisavó D.Filipa de Lencastre o não era.

Fica órfão muito cedo pois sua mãe morre em Dezembro, não tendo influência na sua educação, que deve atribuir-se fundamentalmente à tia D.Filipa irmã de sua mãe, mais tarde recolhida em Odivelas.