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sábado, 17 de dezembro de 2011

Carta portulana de Pedro Reinel






Pedro Reinel
foi um cartografo português autor da mais antiga carta de marear portuguesa assinada cerca de 1485 Trata-se de um portulano representando a Europa Ocidental e parte de África, que reflecte as explorações efectuadas pelo navegador ,Diogo Cão ao longo da costa africana.

Estes primitivos mapas não dispunham de um sistema de coordenadas, mas sim de linhas de rumo a partir de uma rosa dos ventos principal,que se entre cruzavam com outras linhas que partiam de rosas acessórias, dispostas ao redor da primeira. Este tipo de traçado permitia calcular os pontos de acerto de rota de navegação com o simples auxílio da bússola.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A conversão de João Bemoim

Na década de 80 iniciaram-se contactos com chefes africanos, trazidos a Portugal por barcos portugueses e recebidos na corte. Principalmente vinha solicitar ajuda contra os seus inimigos e que tentavam na maioria dos casos para agradar à corte , fazer coincidir esse pedido de ajuda com a manifestação de vontade em se converterem ao cristianismo. pelo que essas visitas envolviam sempre um projecto de baptismo e posterior doutrinação.

Assim aconteceu com Bemoim irmão dum rei senegalês, que se sentia despojado dos seus interesses e juntando assim ao seu pedido de ajuda a fé numa conversão . O seu baptismo aconteceu no dia 3 de Novembro e com ele mais 6 companheiros do séquito que o acompanhou a Portugal, sendo alguns dias depois feito cavaleiro ao mesmo tempo que escrevia uma mensagem ao papa contando a sua história.

Só depois partiu uma armada de socorro com vinte caravelas e homens suficientes para construir uma fortaleza. Bemoim acabou morto em circunstâncias mal explicadas, pelo próprio capitão português encarregue de o levar de volta à sua terra e a fortaleza nunca chegou a ser edificada

sábado, 5 de novembro de 2011

Fundação do Hospital das Caldas

Fundado em 1485 pela Rainha D. Leonor, o Hospital Termal das Caldas da Rainha é um dos mais antigos do mundo, como o Santa Maria della Scala em Siena , o de Santa Maria Nouva ou o Hopital dos Inocente em Florença. Este era um estabelecimento de banhos e um hospital termal., muito embora este não fosse absolutamente igual aos hosputais medievais que se destinavam a pobres

Este era diferente por ser rural, pois nem sequer exista por ali uma vila no tempo da sua edificação, onde també se acolhiam "pessoas de qualidade" a par dos mais pobres, embora com instalações diferenciadas para uns e outros. Isso acontecia talvez pela sua caracteristica termal, pois as suas aguas sulfurosas exigiam um tratamento no local

. Segundo reza a História, em 1484, a esposa de D. João II ia em direcção à Batalha e, ao passar pelo sítio onde se viriam a erguer as Caldas, viu alguns pobres metidos em "prezas daquelas águas cálidas que saíam da fonte fumegando".

Perante a sua curiosidade foi-lhe respondido que eram doentes de "frialdades", e que naquelas águas encontravam remédio para os seus padecimentos. D. Leonor decidiu então criar melhores condições para os utilizadores daquelas águas, já que aqueles terrenos se encontravam em zona de sua propriedade

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Acontecimentos no ano de 1493


  • Início da construção da Sé Catedral do Funchal

A Sé Catedral do Funchal é um bonito monumento situado bem no centro histórico da capital do Arquipélago da Madeira, é considerada a mais emblemática obra do período Manuelino na Ilha da Madeira.

Os trabalhos de projecção e construção iniciaram-se em 1493, sendo concluídos em 1514, sobre os desígnios de Pero Annes e Gil Enes, numa obra característica do gótico tardio, conjugando os materiais locais com saberes antigos e modernos.

A Sé do Funchal é composta por várias capelas de épocas distintas, a planta é em cruz latina de três naves escalonadas, de transepto saliente e tecto de madeira, em algumas zonas em estilo mudéjar muito trabalhado, considerado dos mais importantes em território luso. Possui uma torre sineira terminada entre 1517 e 1518. A Sé apresenta um interior rico, com diversas obras de estatuária e pintura, destacando-se pormenores como, os assentos e apoios de braços, onde estão retratadas cenas da vida Madeirense.

Igualmente interessante é a Cruz Processional oferecida pelo Rei D. Manuel I, considerada uma das obras-primas da ourivesaria Manuelina, e o Cadeiral que se conserva no seu local de origem. É de salientar também, o órgão Romântico do século XIX, os retábulos de São Francisco de Xavier e a rica azulejaria decorativa.

Foi classificado Monumento Nacional em 1910.
  • Álvaro de Caminha nomeado para capitão-donatário de São Tomé

Só em 1493, ano em que é nomeado Álvaro de Caminha para capitão-donatário e se dá a sua fixação na ilha, se inicia o efectivo processo de colonização, com a instalação de um número significativo de povoadores, incluindo os chamados “moços judeus”, crianças e jovens tirados pela força às famílias acolhidas em Portugal, depois da expulsão dos judeus de Castela.

Foram-lhe entregues os filhos recém-baptizados dos judeus e alguns degredados, bem como privilégio especial de comprar escravos no continente para povoar a ilha, outros privilégios seriam dados como o direito dos moradores de comerciarem livremente na costa do Manicongo e na ilha de Fernão do Pó.

Instalou o seu centro populacional na baía de Ana de Chaves, por lhe parecer mais adequada que o anterior local.

Durante o seu governo efectua introdução da plantação da cana de açúcar na ilha, com resultados bastante positivos.

O seu testamento é um documento importante para o estudo da colonização da ilha de S. Tomé.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A casa dos Escravos

A escravidão era praticada há muito tempo entre os africanos - e os árabes já negociavam escravos negros em todo Mediterrâneo desde o século 8. Mas com a introdução do ferro e do cavalo pelos portugueses, o comércio escravista aumentou muito na África.

Povos guerreiros africanos, como os jagas, passaram a capturar membros de outros povos, para obter os produtos portugueses. E quanto mais ferro e cavalos esses guerreiros obtinham, mais tinham força para conquista - e, dessa forma, mais escravos entregavam aos portugueses. Para se ter uma idéia, 1 cavalo equivalia a 20 escravos.

Não demorou muito tempo para que a venda de escravos se transformasse no mais importante negócio de Portugal. Em 1486, a coroa portuguesa fundou a Casa dos Escravos, ligada à Casa da Mina, garantindo para si todo o controle do comércio imperial.

Instituição fundada em Lisboa, sob a autoridade de D. Henrique , o tráfico luso-africano e receber as rendas anuais que eram pagas em escravos ou em géneros.

Assim, de 1469 a 1475 este tráfico foi entregue a vários homens dos quais se destaca Fernão Gomes, um dos principais comerciantes de Lisboa, em troca do pagamento anual de uma renda e da promoção e apoio à descoberta e exploração de terras ao longo da costa ocidental africana.

Este tráfico tornou-se mais intenso quando foram celebrados os contratos onde se destacou Bartolomeu Marchione, um banqueiro florentino residente em Lisboa, entre 1486 e 1495, que tinha largos interesses no comércio do açúcar da Madeira e que participou na organização financeira de muitas expedições, entre as quais se destaca a de Pedro Álvares Cabral, em 1500.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Tratado entre D. João II e os habitantes de Azamour.

Em 16 de Agosto de 1486 foi ratificado um tratado assinado entre D.João II e os habitantes de Azamor.

Azamor é uma cidade situada na margem esquerda do rio Morbeia, a cerca de dez quilómetros da antiga Mazagão, no norte do Marrocos.

Embora dependente do rei de Fez, constituía-se numa povoação comercial bastante dinâmica.

Reputada pela excelência de seu porto fluvial, em 1486, devido à instabilidade política regional, os seus habitantes pediram a protecção do rei D. João II , de quem se tornaram vassalos e tributários.

O tributo anual era de dez mil sáveis, peixe abundante naquele rio, permitindo o estabelecimento de uma feitoria. Como primeiro feitor foi escolhido o escudeiro Martim Reinel, que já lá se encontrava em função da negociação do acordo, cujas funções exerceu até 1501.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Acontecimentos no ano de 1485

  • Alteração ao brazão de Portugal

Historicamente, a associação da esfera armilar a D. Manuel deu-se aquando da sua investidura no Ducado de Beja por D. João II, em 1484, logo após o assassínio do seu irmão D. Diogo, Duque de Viseu, tendo D. João concedido a D. Manuel, a esfera armilar.

Assim, em 1485 (segundo o relato de Rui de Pina na sua crónica de D. João II) ordenou a supressão da flor-de-lis da Ordem de Avis da bandeira (por sentir que a mesma estava à margem da identidade nacional que o escudo dos castelos e quinas começavam a transmitir).

Estabeleceu igualmente a colocação vertical das quinas laterais do escudo, uma vez que os escudetes derribados poderiam ser heraldicamente considerados como sinal de bastardia ou derrota, o que não era o caso.



  • Dezembro,16-Carta de doação da capitania de São Tomé a João de Paiva
Nesse ano, por carta régia de 24 de Setembro, foi estabelecida a donataria de São Tomé e nomeado capitão-donatário o escudeiro João de Paiva, com a obrigação de promover o povoamento da ilha.

Pela chamada “carta de foral” de 16 de Dezembro de 1485, foi, por sua vez, concedido um vasto conjunto de privilégios aos respectivos moradores, que, nessa data, eram ainda muito poucos.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Abolição do beneplácito régio

Beneplácito é um preceito que mandava que as determinações da Igreja Católica, para terem validade no território de Portugal, tinham que receber a aprovação expressa do monarca.

Esta prerrogativa do rei existia já ao tempo de D. Pedro I, se não antes, e foi abolida em 1487, no reinado de D. João II.

No caso do nosso país, a história do Beneplácito régio é bem reveladora dos jogos de poder neste canto da península. Esta prerrogativa do rei existia já desde o tempo de D. Pedro I que o estabeleceu apesar dos protestos dos prelados nas cortes de Elvas em 1361

Nas cortes de Santarém os bispos fazem novas queixas mas D. João I não o revogou.

Nas Ordenações afonsinas (Livro II, Título XII), mantém-se até 15 de Março de 1487, data em que foi abolido a pedido expresso de Inocêncio VIII

Contudo, a Coroa continuou a exercer controle indirecto sobre certos actos e documentos eclesiásticos, e o beneplácito régio voltou mesmo a ser instituído pouco tempo depois e a alargar-se. A imposição deste direito do Estado só terminou no período da República.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Acontecimento no ano de 1490

  • Dezembro,19-Partida de Lisboa da embaixada de Gonçalo de Sousa ao Congo
Partiu de Lisboa uma expedição com três navios, comandada por Gonçalo de Sousa, com destino ao Congo. Levava os pretos que Diogo Cão trouxera anos antes, que já falavam português e sacerdotes para ensinar o catecismo. Gonçalo de Sousa faleceu a bordo, da peste que grassava em Lisboa na altura e foi substituído no comando por seu sobrinho Rui de Sousa. V

Créditos. Para saber mais sobre a presença portuguesa no Congo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A diversificação da política de alianças

A partir de 1484, D.João II tem uma preocupação evidente, libertar-se do que considerava uma excessiva dependência diplomática de Castela. Era a conclusão dos acontecimento nos últimos anos do reinado de seu pai e da própria experiência nos primeiros anos do seu.

Assim em 7 de Janeiro de 1484 é assinado um tratado de aliança com Carlos VIII de França, na sequência de contactos que duravam já há cerca de 1 ano.

Trata-se dum acordo que se propõe pacificar o comércio, normalmente perturbado pelo acção de corsário franceses, demonstrado acima de tudo a intenção referida, mais do que sua importância especifica.

No ano de 1485, em Alcobaça no dia 14 de Agosto, o conselho de estado discute, sobre o casamento de D.Joana irmã do rei com o rei de Inglaterra, Ricardo III. A importância desta discussão é reveladora da preocupação com Castela, já que também existia a possibilidade de Ricardo III se vir a casar com Isabel uma infanta de Castela.

A velha aliança com a Inglaterra, poderia ficar em risco se esse casamento se concretizasse.

O argumento favorável a Portugal era o da descendência de D.Joana, neta duma Lencaster e cujo casamento com o rei Inglês de ascendência York e portanto muito favorável a um apaziguamento entre as duas poderosas famílias em guerra pelo poder.

Independentemente da pouca vontade que sua irmã, (viria a ser conhecida por Santa Joana Princesa, ) sempre mostrara em se casar o certo é que o seu casamento, também não se viria a concretizar porque o pretendente Ricardo III acabaria por falecer nesse mesmo ano no decorrer da batalha de Bosworth Field a última da guerra das rosas.

Ficaram contudo reforçadas as boas relações com o aliado inglês, que pouco mais tarde viriam a ser de novo reforçadas


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A ascensão do jovem Manuel duque de Beja

A partir do dia 21 de Agosto de 1485, dia em que seu irmão D.Diogo, foi ao que consta apunhalado pelo próprio rei, pondo termo à conjura, que ligara a casa de Bragança e a alta nobreza portuguesa, contra o rei. A partir desse dia o jovem D.Manuel com apenas 15 anos herda a chefia da casa Viseu-Beja com o título de Duque de Beja.

Logo nessa altura ficara patente que o jovem Manuel, era o principal herdeiro do trono, depois dos filhos do monarca, referia-se o rei obviamente não só ao prìncipe D.João como também aos filhos que ainda pensava vir a gerar.

Passou-lhe o património da casa de Viseu, com excepção de Serpa e de Moura, que guardara para si, sabe-se lá porque razão, mais parecendo guardar uma comissão pelos prejuízos causados, pela casa de Viseu.

Todos os demais pertences lhe foram atribuídos, incluindo o senhorio da ilhas da Madeira, dos Açores e de Cabo Verde, tendo sido integrado no Conselho, orgão de consulta real, ainda antes da idade necessária, reflectindo a confiança que o rei depositava no jovem.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Acontecimentos em 1482

* Suspensão temporária das Teçarias de Moura

As andanças com as Terçarias de Moura, não paravam e neste ano de 1482, conheceram novos contornos. O Duque de Viseu, D.Diogo voltou para Portugal, sendo de novo substituído por seu irmão D.Manuel, que se deslocou para Moura a fim de ser entregue aos castelhanos.

Em Setembro de 1482, D.João dá poderes a Duarte Furtado para que entregasse D.Manuel aos enviados de Castela. Tal não chegou a acontecer mas aos 13 anos um representante da família mais poderosa de Portugal, preparava-se para servir de penhor como garantia ao acordos de Alcáçovas.

Entretanto enquanto o términus das Teçarias, não fosse realmente concretizado D.Manuel permaneceu 8 meses e meis em Moura à ordem de Isabel de Castela, assim ela o determinasse.

*Início da construção do forte de São Jorge da Mina

A feitoria de S.Jorge de Mina, fica no que hoje e referenciado como Ghana, no Golfo da Guiné e em 1482, D. João II, encarregou Diogo da Azambuja,um membro do Conselho do Rei e um velho combatente de Alcácer Ceguer e de outras lides, da construção de uma fortaleza, naquele lugar mais tarde baptizada de S. Jorge da Mina.

Uma fortificação onde se transaccionasse o ouro, a malagueta e mesmo escravos, ao mesmo tempo que assegurava a defesa contra outros piratas.

Construiu-se também, junto à fortaleza, uma pequena povoação, chamada Duas Partes, para além de outros dois pequenos fortes em Axém e Shamá. Nesta empresa trabalharam mais de quinhentos homens, entre militares e artífices.

Rapidamente, a Mina tornou-se o principal estabelecimento português em África, fonte do abastecimento de ouro que se tornara o motor da economia nacional até se iniciar o ciclo da Índia após 1498.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Martin Behaim chega a Lisboa



Martin Behaim, um homem de ciência, cosmógrafo, astrónomo, alemão de nascimento, chega a Portugal por volta de 1484, tendo vivido alguns anos na ilha do Faial nos Açores e em Lisboa.

Para além da temática científica, os primeiro contactos com Portugal, fazem-se pela via comercial, já que a sua família de mercadores de Nuremberga contactou com a feitoria portuguesa estabelecida em Antuérpia.

Em Lisboa integra a comunidade mercantil interessada na exploração ultramarina, travando conhecimento com navegadores, cosmógrafos e exploradores. Diz-se que nesta época privou com Cristóvão Colombo e Fernão de Magalhães.

Em 1483 convidado por D. João II para fazer parte de uma comissão, liderada por Abraão Zacuto, destinada a melhorar o astrolábio, na qual se diz teve papel relevante.

Já de volta ao seu País constrói o seu famoso globo,a Erdapfel (maçã do Mundo), cujo original está hoje em exibição no Germanisches Nationalmuseum, de Nuremberga, sendo uma das obras de arte mais faladas da Europa.

Martin Behaim integrou a viagem de Diogo Cão como cosmógrafo, tendo no regresso passado pela ilha açoriana do Faial, onde se tinha instalado uma numerosa colónia flamenga capitaneada por Jobst van Hürter, o fundador da cidade da Horta.

Nesse ano casa na Ermida de Santa Cruz na cidade da Horta com D. Joana de Macedo, filha do 1.º capitão-donatário, o dito van Hürter, integrando-se assim na nascente colónia faialense.

Viria a falecer em Lisboa em 29 de Julho de 1507.


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Nota Importante

Aparentemente este blogue terá chegado ao fim, atendendo à post anterior relatando a morte do Rei D.João II.

Contudo, nada disso acontecerá, pois como digo no sublinhado ao título deste blogue, aqui tem cabimento todos os facto ocorridos no espaço histórico-cultural, próximo de Portugal, no tempo em que decorreu o seu reinado.

Recomenda-se que para um melhor enquadramento dos factos se sigam as etiquetas laterais, onde os acontecimento se encontram organizados em ordem cronológica

A morte de D.João II no Alvor

Ainda em Évora em 1490, após o casamento do filho, tinha D.João II, sofrido os primeiro sintomas da estranha enfermidade que o havia de matar. Em 1495 já não sofria apenas de mal estar e desmaios, também o seu aspecto outrora belo se havia começado a alterar devido a um inchaço.

Os seus últimos anos de vida foram, de imensa actividade em permanente mudança pelo País, um pouco como procura e qualquer lado, a receita que pudesse minimizar os seus padecimentos.

A rainha D. Leonor também adoecera gravemente, aumentando a aflição do Rei, que se nunca se recompusera do falecimento do infante, julgava agora também vir a perder a mulher.

Acabou arainha por salvar-se e o rei, que nunca deixara abrandar a sua actividade, encontrava-se com a corte em Évora mo verão de 1495 quando uma inoportuna peste assola a cidade, obrigando a corte a retirar-se para Alcáçovas.

O mal que padecia estava avançando, de tal forma que a s mãos de tanto incharem, já mal lhe permitiam segurar uma pena para escrever de tal forma que manadara fazer uma chancela em ouro para as assinaturas.

Infrutíferas continuavam a ser as tentativas de D.João II, junto de D.Leonor, para que autorizasse a legitimação do filho Jorge, bastardo de D.João.

Tinham tido notícias de algumas maravilhas curativas que com as águas de Monchique se obtinham, que o levaram a decidir partir para o Algarve . Com o franciscano João da Póvoa se confessou e com ele redigiu o seu testamento, optando por não afrontar a Rainha e não nomear seu filho Jorge herdeiro do trono, optando por nomear D. Manuel , duque de Beja e seu cunhado.

Também cuidou em Alcaçovas antes de partir, de deixar nomeado Vasco da Gama, como capitão da frota que deveria ir à Índia.

Em Monchique porém as águas fizeram-lhe ainda pior, retirando para o Alvor, onde viria a morrer, em casa de D.Álvaro de Ataide, mas foi o próprio rei que desenganado pelos médicos, sobre as suas hipóteses de salvação, organizou o próprio cenário da sua morte, ordenou a sua extrema unção, e faleceu no dia 25 de Outubro de 1495, apenas com 40 anos, não sem antes pedir aos que o rodeavam que não o agoniassem com o seus prantos.

Isabel a Católica, quando recebeu a notícia, terá exclamado. "morreu o Homem", passou na História de Portugal a ser conhecido pelo Príncipe Perfeito.

*****

Recomendo a leitura dum post, publicado no blogue Escavar em ruínas, muito interessante sobre a eventualidade da morte por envenenamento de D.João II



terça-feira, 27 de maio de 2008

O Tratado de Tordesilhas(1494)


Todos os indícios apontam para a conclusão que, o anúncio feito por Colombo de que atingira a Índia, ao aportar em Guanahami, Cuba e Haiti, não colhera cabimento junto da corte portuguesa, que já estava informada da existência de um novo continente e que o navegador Colombo se equivocara.

Ao passar por Lisboa no seu regresso dessa viagem, Colombo, trouxera alguns indígenas da América, que foram apelidados de Índios, exactamente por considerar ter conseguido esse objectivo, e foi por essa razão que os habitantes desse continente continuaram a ser conhecidos por esse nome.

D.João II já sabia que os selvagens que lhe foram apresentados, não poderia corresponder ás informação que já possuía que a civilização que existia no Indostão era evoluída não condizente com o aspecto dos indígenas que lhe eram apresentados.

D.João II fizera apenas a menção que acreditara nisso, para poder ganhar algum tempo, no sentido de assegurar que os indícios recolhidos pela navegação pela Rota do Cabo, se concretizassem na chegada à Índia.

Os acordos e as bulas papais em vigência desde o tratado de Alcaçovas em 1479, tinham imposto uma demarcação dos direitos sobre os novos territórios descobertos. Como pelos vistos o conhecimento na corte espanhola, sobre cartografia, eram bastante inferiores à dos portugueses, levou a que a corte espanhola, desde logo, quisesse tomar posse do novo território. De uma forma táctica D.João veio a terreno reclamando os seus direito sobre aquele território, com intuito óbvio de forçar um novo acordo, que garantisse as suas pretensões e que decididamente não tinham a ver com a América.

Foi então traçado um novo mapa que entre as resoluções então tomadas, a mais célebre e mais importante foi a da delimitação, através de um meridiano traçado a 370 léguas a oeste de Cabo Verde, das zonas de influência dos países ibéricos, cabendo a Portugal o hemisfério oriental e, a Espanha, o ocidental. Garantia-se aos navegadores espanhóis o direito de passagem para oeste e definia-se a repartição dos territórios que viessem a ser atingidos por Colombo, que então realizava a sua segunda viagem. Ambos os reinos se comprometiam a não recorrer ao papa com o intuito de alterar estas disposições, o que, a par da salvaguarda da rota do cabo, constituiu uma vitória para a diplomacia portuguesa.

A longo prazo, no entanto, acabou por garantir a Portugal a posse do Brasil, cabendo a Espanha a maior parte do continente americano.

Tratado assinado, em 7 de Julho de 1494, entre representantes da Coroa portuguesa e da Coroa espanhola em Tordesilhas (perto de Valladolid), e ratificado pelos respectivos reis D. Fernando e D. Isabel de Castela e D. João II de Portugal.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O bárbaro tratamento aos judeus(1492)

Na sequência do édito de expulsão dos judeus a 31 de Março de 1492, através do qual foram expulsos de Castela todos os judeus não baptizados, concedendo-lhes um prazo de 4 meses para regularização da sua situação.

Hipocritamente permitiam-lhes dispor dos bens, por venda ou doação, admitindo mesmo que pudessem leva-los desde que transportáveis, bem entendido, desde que não se tratasse de ouro prata ou moeda, que seriam trocados por letras de câmbio, ou mercadorias cuja exportação não fosse proibida.

O não cumprimento desta Lei equivaleria à pena de morte e ao confisco de todos os bens.

Tudo foi vendido ao desbarato e o êxodo foi enorme e demasiado trágico. Alguns seguiram para Itália em pequenos barcos atacados por uma epidemia ou pela pirataria, pereceram quase todos. Melhor sorte não tiveram os que optaram por Marrocos ainda com requintes de maior malvadez, ou pela Grécia e Turquia.

Negociaram com D.João II a vinda para Portugal, que espreitou ali a oportunidade dum bom negócio, sem qualquer tipo de sentimento humanitário, diga-se, mas que realmente também não era o paradigma da sociedade daquela época.

D.João II permitiu a entrada dos judeus, lançando um imposto de 8 cruzados por cabeça, a pagar em 4 prestações suaves, isentando somente as crianças de colo.

Os técnico, diga-se os oficiais mecânicos (latoeiros,armeiros, etc), pagavam apenas metade.

Este período de permanência, foi proposto por 8 meses, findo o qual Portugal se comprometia a promover o transporte para o País que quisessem, à custa de quem estivesse interessado, claro.

Este período foi para mim, um dos mais violentos e cruéis da nossa História, para além da avultada quantia que a coroa arrecadou com esta operação.

Naturalmente que, como nem todos os judeus podiam pagar, tentaram entrar clandestinamente no País. Quando encontrados a população fanatizada, espancavam.nos brutalmente, muitas vezes até á morte.

Mas o mais vergonhoso foi quando o rei faltando à sua palavra, em vez de conduzir os judeus ao país de sua preferência, os atirou em massa para Marrocos onde se sabia a sorte que os esperava, depois de roubados os bens e violadas as mulheres e crianças.

Pior ainda, o destino que D.João II deu aos filhos menores dos judeus, enviado-os para a ilha de São Tomé, depois de baptizados e "apartados das suas famílias fossem bons cristãos" e em crescendo pudessem povoar a ilha.

Os que não tinham dinheiro para abandonar o País, foi fácil a solução, foram vendidos ou oferecidos como escravos.


  • Junho-Abraão Zacuto vem para Portugal

Sábio judeu, grande astrónomo.

Nasceu em Salamanca em 1450, aproximadamente, e faleceu em 1510.

Foi catedrático de astronomia na Universidade da sua terra natal, e mais tarde na de Saragoça o em Cartagena. Quando os judeus foram expulsos do Espanha veio para Portugal, onde teve grande valimento junto de D. João II e principalmente de D. Manuel, de quem foi cronista e astronomo.

Atribui-se à sua influência para com el-rei D. Manuel, a carta de alforria que este monarca no princípio do seu reinado, concedeu aos judeus.

Auxiliou com os seus conselhos a expedição de Vasco da Gama, e inventou alguns instrumentos náuticos. Quando se deu a expulsão dos judeus em Portugal, procurou segurança em Tunis, mas viu-se reais tarde obrigado a fugir para a Turquia, onde morreu.


Escreveu o Bi'ur Luhot que foi traduzido pelo seu discípulo José Vizinho com o nome do Almanach perpetuum. A sua obra mais importante, intitulada: Sepher Juchasin (Livro das linhagens), foi pela primeira vez impressa em Constantinopla, no ano de 1566, e nela se encontram curiosas notícias a respeito da história religiosa da nação dos israelitas e a respeito dos rabinos que viveram até 1500 e dos violentos ataques contra o cristianismo.

Transcrito por Manuel Amaral
Créditos ;Génios inesquecíveis


domingo, 27 de abril de 2008

D.Jorge de Lencastre(1492)

Já foi referido anteriormente as consequências da morte do infante D.Afonso, nos planos reais da sucessão ao trono.

D.João II e sua mulher D.Leonor para além dum filho morto à nascença, apenas haviam gerado o príncipe D.Afonso, não havendo portanto outro descendente, que se perfile na linha de sucessão.

O rei havia antes de casar, da sua relação com D.Ana Furtado de Mendonça, tido um filho D.Jorge de Lencastre, nascido em Abrantes em Agosto de 1481,e mais tarde em 1485, uma filha bastarda de nome Brites Anes.

Naturalmente que o rei pretendeu desde logo "promover" D.Jorge à condição de
herdeiro, até porque D.Jorge já residia junto da corte, onde, como diziam os cronistas Foi tão bem aceite de todos, que até a Rainha D. Leonor, esquecidas antigas afrontas, não só recebeu afectuosamente o bastardo do marido, como quis agasalha-lo em sua casa para acabar de o criar.”

A morte do príncipe D. Afonso, veio alterar porém esta situação, tendo D. Jorge saído da Corte, até 12 de Abril de 1492 quando foi nomeado “governador e perpétuo administrador” das Ordens de Santiago e Avis, pois D. João II mandou retirar o filho da corte para não fazer sofrer a rainha, disse, justificando-se.

A verdadeira justificação desta aparente mudança de atitude, deveu-se ao feitio desconfiado, mas também cauteloso de D.João II, temendo que algo pudesse acontecer a ambos, resolveu afasta-lo da corte confiando-o à guarda do conde de Abrantes.

Decisão precipitada por certo, pois D.Leonor ter-se-á sentido ofendida com a mudança, passando a antagonizar as tentativas que D.João fez para legalizar esse seu filho, junto da Santa Sé.

O certo é que nunca o conseguiu ao mesmo tempo que se consolidava a candidatura à sucessão no trono, do irmão da Rainha o Duque de Beja, D.Manuel, que passou a contar com o apoio incondicional da sua irmã.


domingo, 13 de abril de 2008

Início da construção do Hospital de Todos os Santos(1492)

Na manhã do dia 15 de Maio de 1492 foi lançada a primeira pedra da construção do Hospital Real de Todos os Santo, com a presença do rei D. João II

A direcção da obra, ficou a cargo do mestre arquitecto Diogo Boitaca, embora o projectista tenha sido o seu sogro Mateus Fernandes, principal responsável pela construção do mosteiro da Batalha.

A criação deste hospital foi o resultado da concentração de vários hospitais pequenos, que por terem também nomes de santos acabou este por ser denominado de Todos os Santos, mas como també foi construído com o apoio do Rei D. João II era também denominado de Hospital Real, mas ficou realmente conhecido na altura por Hospital dos Pobres, numa cidade de Lisboa que tinha nessa altura cerca de 60 mil habitantes.

O novo hospital, iria ser um Hospital do Renascimento semelhante a outros que estavam a surgirna Europa. Embora a importância do componente religioso continuasse presente – o altar da igreja estava situado no cruzeiro das três principais enfermarias para que os doentes acamados pudessem assistir aos ofícios

O Hospital de Todos os Santos, praticamente destruído, embora não totalmente quando do terramoto de 1755.

Ocupava toda a actual área da praça D. João I (Praça da Figueira), tendo por limites o Convento de S. Domingos a norte, a rua da Betesga a sul, rua do Borratém a nascente e a praça do Rossio a poente. Possivelmente no dia 1 de Novembro de 1755 o Hospital de Todos os Santos não estaria a funcionar em pleno, em virtude de um outro grande incêndio ocorrido em Agosto de 1750, que lhe destruiu 11 enfermarias e quase todas as áreas adjacentes.

O novo Hospital de Todos-os-Santos, que ficará no parque da Bela Vista e substituirá os hospitais S. José, Santa Marta, Capuchos, Desterro e Estefânia, em Lisboa, terá 789 camas, todas em quartos individuais. O concurso será lançado no início de 2008

Créditos: Heródoto



sexta-feira, 4 de abril de 2008

A morte do príncipe D.Afonso(1491)

Os festejos do casamento do príncipe herdeiro D.Afonso, como já disse foram muito prolongados. A viagem da família real de Évora para Santarém, foi muito divertida, em pequenas jornadas, com demoras aqui e além, instalando-se em pleno campo em tendas simples, para caçarem e apreciarem a vida campestre.

Chegados a Samtarém, os festejos duraram 27 dias, com animados serões e touradas.
O futuro era risonho, antevendo o desenho dos projecto de chegada à Índia, ou a os projectos para que seu filho num futuro próximo, viesse a ocupar os tronos de Castelo e Portugal, concretizando a desejada União ibérica sob a hegemonia portuguesa.

Akgo de funesto aconteceu porém no dia 11 de Julho de 1492. Cavalgando junto dum moço fidalgo seu amigo, D.João de Meneses já ao anoitecer, o cavalo tropeçou num buraco arrastando na queda o jovem infante.

As preces que D.João II mandou rezar por todo o Reino e os esforços dos físicos, não conseguiram as melhoras de D.Afonso, que viria a falecer no dia 12 de Julho de 1491.

Grande consternação foi enorme por todo o reino, maior ainda pelo contraste dos meses de felicidade trazidos pelos festejo do casamento realizado há menos de 2 anos de tal modo que nem a duquesa de Bragança, viúva do degolado duque D.Fernando, apareceu pela primeira vez no paço, após a morte do marido, pondo de parte todos os ressentimentos.

As exéquias decorreram no mosteiro da Batalha, com o espectáculo de dor habitual nas épocas medievais, homens que arrancavam as barbas até ficarem com o rosto em sangue, cabeças que batiam contra o cadafalso ou mulheres arranhando desesperadamente a face.

Os Reis católicos, pais da jovem viúva Isabel lhe perguntaram se queria regressara a Castela, foi grande o alívio da família real portuguesa, o assentimento da jovem viúva, pela recordação que a sua presença lhe fazia sentir, as saudades do seu filho.

D.João II acompanhou a viuvinha até à fronteira, separando-se com muitas lágrimas e poucas palavras. Pensando toda a gente que D.Isabel não voltaria mais a este reino, mas as voltas do destino farão que regresse um dia mais tarde não como princesa mas já como Rainha de Portugal.


  • Os novos pretendentes ao Trono
Com a morte do infante D.Afonso a sucessão ao trono, ficaria com lista de pretendentes bem reduzida, já bastante dizimada após o banimento dos duques de Bragança da linha de descendência.

Os sucessores que restavam eram D.Jorge filho bastardo de D.João II duma sua ligação com D. Ana de Mendonça, filha de D. Nuno de Mendonça, aposentador‑mor de D. Afonso V, e que foi dama da princesa D. Joana, a Beltraneja.

O outro era D.Manuel duque de Beja e irmão da Rainha neto de D.Duarte e filho do infante D. Fernando.

D.João II passou a inclinar-se para a hipótese do seu filho bastardo, que desagradava frontalmente a D.Leonor, mas que não impediu que o Rei tenha concedido a D.Jorge os mestrados de Santiago e de Avis e dando-lhe o ducado de Coimbra e o senhorio de Montemor-o-Velho